Fotocinema

Por DAIGO OLIVA

Parece razoável um set de filmagens que reúna guindastes, enormes andaimes e mangueiras com força suficiente para produzir chuva artificial.

Comprar uma casa abandonada para queimá-la ou mesmo inundar um quarto, tudo isso é completamente compreensível para o gigantismo do cinema.

Imagine agora que toda essa obsessão colossal é despendida para apenas uma única foto.

Estreou nos Estados Unidos em novembro o documentário “Brief Encounters”, dirigido por Ben Shapiro, que retrata o trabalho do fotógrafo Gregory Crewdson.

O artista cria cenas do subúrbio americano, sempre carregadas de dramaticidade, feições depressivas e meticulosa direção de cena, formando narrativas de histórias onde o antes e o depois inexistem, só aquele momento de contemplação. É cinema, mas é foto.

Crewdson fez parte do “The Speedies”, ótima banda de punk power pop no fim dos anos 70, autora de “Let me take your photo”, canção que se tornaria profética em sua vida.

O grande mérito do documentário, e que também está presente em seus livros, é olhar o processo por trás das imagens. Uma boa parte das publicações do fotógrafo é acompanhada de registros dos bastidores, onde é possível entender o surrealismo de suas empreitadas, o tamanho da equipe envolvida e a dificuldade para controlar cenas tão grandes.

No cinema, onde uma cena dessa magnitude pode durar cerca de 10 segundos, muitas vezes em movimento, tem sua complexidade alargada quando apenas um quadro é congelado.

Abaixo, o trailer do documentário…

Crewdson é representado em Londres pela galeria White Cube, que acabou de abrir uma filial em São Paulo. Será que… Tomara.