Entretempos

Imagens diluídas em diferentes suportes

 -

Editado por Daigo Oliva, editor-adjunto do Núcleo de Imagem da Folha, o blog aborda os diferentes suportes da imagem, com ênfase sempre na fotografia.

Perfil completo

Publicidade
Publicidade

Nunca ouça o vinil verde

Por DAIGO OLIVA

Estreia nesta sexta (04), “O som ao redor”, novo filme do pernambucano Kleber Mendonça Filho.

Premiado e bem elogiado pela crítica, a obra é praticamente um tratado sociológico sobre a classe média brasileira e as relações coloniais que ainda permeiam as tradicionais famílias pernambucanas.

Muito antes de “O som”, o diretor produziu, em 2004, o curta “Vinil Verde”.

Baseado em uma fábula russa, a história pode ser considerada um filme de terror. Uma mulher dá a sua filha um pequeno toca discos, um punhado de vinis de 7 polegadas e uma observação: “nunca ouça o vinil verde”.

A tentação estilo Adão e Eva é obviamente ignorada pela criança e o temor da mãe se concretiza.

O que chama atenção em “Vinil Verde” é a narrativa construída completamente a partir de fotografias.

As suaves transições entre as imagens reforçam o texto narrado, assim como as expressões impávidas de filha e mãe. A estrutura dá ao filme a sensação de um livro infantil, onde figuras são viradas sucessivamente.

Ao contrário do ritmo acelerado de produções que usam fotografias em sequência apenas como divertimento gráfico, “Vinil Verde” carrega a estática da foto como recurso narrativo.

Vale a pena assistir a esse curta de cerca de 15 minutos e que está logo abaixo.

Quer dizer, não veja “O vinil verde”, não veja “O vinil verde”, não veja “O vinil verde”…

O texto e a crítica da Ilustrada sobre “O som ao redor” você confere aqui.

Um bom ano a todos.

Blogs da Folha