Entretempos

Imagens diluídas em diferentes suportes

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Editado por Daigo Oliva, editor-adjunto do Núcleo de Imagem da Folha, o blog aborda os diferentes suportes da imagem, com ênfase sempre na fotografia.

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Dar à luz dói

Por DAIGO OLIVA

Já virou uma tradição.

A cada dia comemorativo, catastrófico, afirmativo ou seja lá o que for, o blog corre atrás de pessoas que admira para pedir uma interpretação visual.

Foi assim com o dia em que o mundo supostamente acabaria, e igualmente para o aniversário da cidade de São Paulo.

Hoje, 08 de março, dia da mulher, o Entretempos volta a convidar 5 artistas para que, através de palavras e imagens, traduzam suas visões particulares da figura feminina.

Debby Gram, Cris Bierrenbach, Vero Somlo, Morena Buser e Adriana Komura deslizaram pelos seus trabalhos para encontrar uma forma de enxergar as mulheres para bem longe do clichê.

Aproveite.
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Debby Gram

“Mulher metamorfose ambulante”

Nascida em São Paulo, a fotógrafa Debby Gram colabora/colaborou em diversas publicações como Serafina, Vogue, Elle, El Mundo e ID.

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Cris Bierrenbach

“Ela corta e ela costura e ela lava e ela passa e ela serra e ela lixa e ela cozinha e ela limpa e ela nada e ela mergulha e ela pinta e ela enfeita e ela trabalha e ela compra e ela ri e ela chora e ela deseja e ela cuida e ela ama e ela cria”.

“Utilitários (o consolo da fotógrafa nas prendas domésticas)”

Cris Bierrenbach nasceu em São Paulo, em 1964. Fotógrafa, trabalhou para veículos como Elle, Vogue, Folha, entre muitos outros. Realizou a direção de arte de “FilmeFobia”, de Kiko Goiffman, além de ter recebido o prêmio Marc Ferrez em 2010.

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Vero Somlo

“Apenas uma gota. No fundo do quarto um grito. Nas profundezas da terra você. Você que implora por salvação e teus olhos que não enxergam, e nos ouvidos o vento.

Você está cega, velada, desnuda. Implore, não importa. Faz frio e não importa. Apenas escuta o grito, o seu, que corre através do sangue e morde suas ouvidos (aqueles que vêem, aqueles que apalpam).

A dor é ácida, sabia? Morda os olhos, arranque as mãos. Ácido é o segredo que o atravessa.

Se atravessa tateando o segredo, atravessa às escuras, através de ramos que transpassam a garganta.

Pique aqui. Você sente? Está brotando, enquanto grito baixo, enquanto você grita suave e o vento nos olhos. Dar à luz dói.

Nunca te disseram”.

A artista Veronica Somlo nasceu em Bariloche. Aos 33, já realizou exposições na Espanha, Argentina e Marrocos, além de ter colaborado com o festival de cinema de Málaga por 8 anos.

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Morena Buser

“Diana é deusa, rainha da bruxaria, símbolo da lua. Diana é irmã de apolo.

Quando nasci eu fui batizada de Diana mas sempre me chamaram de Morena.

Entao resolvi ir ao encontro de Diana.

Talvez por uma procura de identidade. Talvez pelo significado do nome. Talvez para um re-descobrimento”.

Diana no Central Park

Diana no estúdio

A suíça-brasileira Morena Busser, nasceu Diana, mas se recusa a ser chamada assim. Ao lado de outros 12 brasileiros estrangeiros, integrou a exposição coletiva “On Going”, em NY.

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Adriana Komura

“Bufou resmungando, impaciente, mas como que resignada.

– Você não podia ser um pouco menos? Assim minha vida seria mais fácil.

– Ser o quê?

– Agradável.

Parou por um instante para pensar em uma resposta, enquanto observava a impressão de ar quente se esvair no vidro do copo que segurava. Soprou mais uma vez, até que uma nova bola translúcida se formasse na sua superfície.

– Talvez se eu fosse, seria outra pessoa.

Outro suspiro desaprovador, quase triste.

– Eu sei”.

Adriana Komura é ilustradora, designer da revista Serafina e um terço do coletivo de artistas visuais República, com o qual irá apresentar publicações na Feira Plana, no MIS.

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Para você que no dia de hoje ainda não mandou nada para a mulher que te importa, ainda dá tempo.

A pedido do blog, Manuel da Costa Pinto, colunista da Folha, relembrou o bonito poema “Elegia: indo para o leito” de John Donne.

É só clicar aqui.

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