Entretempos

Imagens diluídas em diferentes suportes

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Editado por Daigo Oliva, editor-adjunto do Núcleo de Imagem da Folha, o blog aborda os diferentes suportes da imagem, com ênfase sempre na fotografia.

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Natureza encarcerada

Por DAIGO OLIVA

Pagar a escola do pequeno Jorge, fazer compras no supermercado, encher o tanque do Fiat Uno, pagar a conta do telefone celular e da internet.

Comprar papel para a impressora, tinta e vinho.

Isso é o que o fotógrafo mineiro Pedro David, 35, fará com os 114 mil reais que recebeu pelo primeiro lugar no prêmio da Fundação Conrado Wessel, divulgado no último domingo.

O ensaio vencedor, “Sufocamento”, retrata uma enorme plantação de eucalipto que cerca árvores nativas. Durante uma das viagens do fotógrafo pelo norte de Minas, para um trabalho sobre o universo de Guimarães Rosa, registrou o avanço dessas plantações pelo cerrado.

O aprisionamento das árvores nativas em torno da vegetação imposta pelo homem chega a parecer uma construção do artista, mas David garante que não.

“Esta perfeição é típica do eucalipto. É geneticamente modificado para que cresça o mais rápido possível, resistente a pragas, e com poucos galhos. Mas cobra caro por seu milagre -seca totalmente o terreno, espanta toda a fauna”, explica.

“Fico feliz em ser premiado com este trabalho, pois “Sufocamento” é um grito de socorro. É assustador andar pelo interior de Minas hoje. Está tudo sendo reduzido a eucalipto”, continua.

O interior do Brasil é permanente no trabalho do fotógrafo. Rota Raiz, seu mais novo livro, percorre as histórias contadas pela família em jornadas pelo interior e os presentes que recebia do pai quando voltava de viagens a trabalho.

“Percebi que estava fazendo estas viagens em parte para realizar fisicamente as imagens criadas durante a infância”, divaga. “Em Rota Raiz me interessava fotografar as novidades que chegavam ao sertão contemporâneo, mudanças de hábitos, materiais e comportamentos”.

“Eram viagens solitárias e difíceis, onde em muitos momentos me perguntava o que eu estava fazendo ali, no norte de Minas, sozinho, procurando imagens”.

Para ver mais do trabalho de Pedro David é só clicar aqui.

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