Entretempos

Imagens diluídas em diferentes suportes

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Editado por Daigo Oliva, editor-adjunto do Núcleo de Imagem da Folha, o blog aborda os diferentes suportes da imagem, com ênfase sempre na fotografia.

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O mundo é bão, Sebastião (Salgado)

Por DAIGO OLIVA

Um livro de 250 mil exemplares vendidos, um documentário sendo co-produzido por Win Wenders e uma série de exposições que já passou por quatro grandes cidades mundiais. “Genesis”, último trabalho de Sebastião Salgado, chega a São Paulo nesta quinta-feira (05).

As 245 fotografias em preto e branco que o fotógrafo exibirá no Sesc Belenzinho são o resultado do trabalho de oito anos em que documentou tribos, animais e paisagens em regiões remotas do planeta.

Salgado fotografa na Geórgia do Sul, perto das Ilhas Malvinas

Zâmbia, Sibéria e a ilha de Galápagos foram alguns dos extremos percorridos por Salgado na busca de registrar sociedades que ainda se mantém imunes às mudanças aceleradas da vida contemporânea.

Salgado nega ser um fotógrafo ativista, mas não só a ideia em torno do projeto, como as atividades que promove através do Instituto Terra –do qual é um dos fundadores e atualmente visa a recuperação das fontes do Rio Doce– carregam grande preocupação com o meio ambiente.

Ainda assim, o Museu Britânico de História Natural de Londres foi criticado por ambientalistas ao receber a mostra do fotógrafo.

“Genesis” teve parte de seu financiamento viabilizado pela mineradora brasileira Vale. Os ecologistas alegam que a participação da companhia nas obras da usina hidrelétrica em Belo Monte inundará parte da floresta amazônica e desalojará indígenas como os que aparecem nas fotos de Salgado.

“Houve um problema com a Vale, que foi pegar 9% do investimento de Belo Monte. Eu, pessoalmente, não tenho nada contra a Vale. Dentro do Brasil, é uma das empresas mais razoáveis do ponto de vista ambiental. Por que as ONGs brasileiras participam com a Vale?”, defende o fotógrafo.

“Agora, toda mineradora destrói um bocado de terra. E todo mundo tem um carro, todo mundo tem um computador. Que sociedade é essa que nós vamos negar o consumo básico, onde nós somos os maiores consumidores?”, completa.

Aos 69, a voz firme e a disposição com que encara seus projetos de longa duração o aproximam da ideia de estado inicial de “Genesis”. O Entretempos conversou com o fotógrafo há um mês, por telefone, de Paris, onde vive.

Naquele dia, o frio de SP contrastava com o calor infernal do verão europeu.

“Quando eu era menino, terminei a faculdade lá no Espírito Santo e vim para São Paulo fazer o único mestrado em economia que tinha no Brasil. Menino, eu e minha mulher, recém-casados, tinha 23, 24 anos. Esse frio, acho que fez a gente ficar juntinho até hoje. A gente se abraçava de noite, era tanto frio…”

Confira abaixo a íntegra da entrevista do blog com o fotógrafo brasileiro.

*

Entretempos – “Genesis” demorou oito anos para ser concluído, mas neste último ano você pôde ouvir o que as pessoas enxergaram do trabalho. Qual é a sua visão consolidada do projeto hoje?

Sebastião Salgado – Pois é, é uma diferença muito grande quando você tá fazendo. Você tá vivendo dentro, você é parte de tudo. E agora é como se eu tivesse tomado uma certa distância. Você entra dentro de um outro processo, em que as pessoas começam a ver também suas fotografias e descobrir uma série de coisas quase novas para você também. Te juro que é difícil, agora é muito mais cansativo do que quando você está fazendo. Eu to esgotado com isso de entrevistas, de aberturas, de ter que viajar pelo projeto. Virou algo maior do que se previa na realidade e com essa quantidade de exposições, esses livros todos saindo, com essa quantidade de conferências… Então fica um negócio, assim, tentacular. Mas é isso mesmo, é outra parte do projeto.

Mas em relação ao que você pensava como mensagem ou como concepção do projeto, quando as pessoas enxergaram isso, você acha que conseguiu passar a comunicação que imaginava?

Olha, eu acho que sim, absolutamente. Eu to sentindo uma grande sensibilização pelas pessoas vendo a exposição e descobrindo o planeta delas. Por que hoje, vivendo em São Paulo ou Rio, elas não vivem no Brasil. Elas vivem em São Paulo e no Rio, que são coisas completamente diferentes da floresta amazônica, dos grandes rios. E quando você traz essas imagens, você traz a essas pessoas uma grande informação. A tal ponto, por exemplo, que os livros quanto mais imprime, mais vende. Está esgotando. O livro que a gente calculava que ia vender 50 mil já tá em 250 mil. Nós estamos vivendo um momento muito especial em relação ao nosso planeta, está realmente havendo um aquecimento. As águas começam a subir, começa a haver uma preocupação com o fornecimento de água nas grandes cidades, a relação da gente com o clima tá mudando muito rápido, você vê a quantidade de tempestades nos Estados Unidos, esse calor excessivo na Europa, essas mudanças de períodos de chuva no Brasil. Então trazendo essas informações do planeta, trazendo o planeta às pessoas, elas estão curiosas.

Então você acha que o “Genesis” pode tentar restaurar uma lógica do ecossistema, da forma como ele funcionava?

Não acho, não. Sinceramente, acho que o “Genesis” sozinho não restaura nada. Acho que pode ajudar a restaurar contribuindo com uma série de coisas que estão acontecendo, existe muita informação ecológica. Existe muita ONG trabalhando, participando, falando, informando, denunciando, sabe? A preocupação hoje é muito grande, então o “Genesis” faz parte desse movimento. Ele sozinho não é determinante. Mas funciona dentro de um contexto como é o contexto de hoje –e, talvez, só por isso que ele exista. Por exemplo, há vinte anos atrás eu não tive de fazer um projeto ecológico, há dez eu tive. Essa preocupação está vindo dentro desse fluxo também.

Houve uma polêmica em Londres, em que ambientalistas protestaram contra a exposição por conta do financiamento da [mineradora] Vale. Qual é a sua opinião? Há incoerência?

A minha opinião é completamente diferente, claro. Senão eu não estaria com a Vale “sponsorizando” o meu projeto. Na realidade, nós já trabalhamos com eles há muitos anos. Quando começamos nosso projeto ambiental, começamos com a Vale. E não só com a gente, a Vale participa com a maioria das ONGs ambientalistas brasileiras. Então houve um problema que foi ela pegar 9% do investimento de Belo Monte. E como é a maior empresa privada que teve participação, eles não atacam o governo brasileiro que, na realidade, é um projeto do governo brasileiro. Isso é a Eletronorte, isso é o BNDES. É um projeto do governo brasileiro. Eles pegaram, eles sofreram um ataque direto e frontal e passaram a ser a empresa a combater. Agora, ela virou sigla internacional por causa de Belo Monte e isso para mim não tem nada a ver com o comportamento dessa empresa dentro do Brasil. É uma das empresas mais razoáveis do ponto de vista ambiental. Agora, toda mineradora destrói um bocado de terra, pô. Todo mundo tem um carro, todo mundo tem um computador, todo mundo tem um garfo em casa. Nós precisamos desses minérios para a sobrevivência. E todo mundo consome petróleo, e você precisa da Petrobrás. Que sociedade é essa que nós vamos negar o consumo básico? Onde nós somos os maiores consumidores? O Lula colocou 35 milhões de brasileiros saídos da linha de pobreza na classe média. Todos esses compraram carros, compraram televisão, compraram tudo. Tem que existir um sistema produtivo atrás disso. Acho que o sistema produtivo tem que ser o mais limpo e justo possível. Mas acho que a visão que nós temos que ter é um pouco mais coerente. Lá no nosso projeto ambiental trabalhamos com uma série de empresas. E nós temos que fazer com elas mesmo, porque se nós não fizermos com elas, não vamos fazer nunca. Então, eu acho que esse discurso, urbano, radical, também tem que mudar um pouquinho. Ele tem que ser mais compatível e coerente com a sociedade em que nós vivemos.

Voltando um pouquinho para o trabalho em si, você acabou falando uma coisa interessante sobre as pessoas que saíram da linha da pobreza e logo compram…

Passaram a ser consumidores?

É, e logo compram eletrodomésticos, carros, etc. E você visitou várias tribos, clãs e sociedades que são muito primitivas. Acredito que quando você se encontrou com essas pessoas, você era o alienígena ali. Queria que falasse um pouco sobre como era a comunicação, o processo do encontro com essas pessoas. Existe um romantismo muito grande de que “Genesis” trabalhe em cima de uma idealização, de um ideário primitivo?

Olha, primeiro o que tenho que dizer: todos os grupos, as tribos que visitei já tinham sido todas contatadas. Foram grupos que já receberam pessoas da nossa sociedade. Não fui visitar como um jornalista, não fui visitar como antropólogo, não fui visitar como um cientista de outra linha qualquer. Eu fui visitar por curiosidade, queria me ver no início, como nós éramos, como funcionávamos, qual era a nossa relação com a nossa natureza, com o nosso planeta. Não fui comprovar nada, nem para mostrar nada especialmente a ninguém. Fui por curiosidade. Não acredito que as fotos do “Genesis” vão levar as pessoas a achar que nós temos que voltar a ser como as sociedades primitivas e que as sociedades primitivas são as corretas, entende? Eu acho que as sociedades são fortes representativas do que nós fomos há 5, 10 mil anos atrás, e é importantíssimo a gente tê-las como uma referência para a nossa história, como respeito a essas culturas e que as pessoas que estão nelas tenham o direito de fazer a opção se querem ou não ser participantes nesse tipo sociedade em que vivemos de forma de consumo. Eu fui, visitei, participei. O que eu trouxe foi uma forte imagem de como existe a relação deles em equilíbrio coma natureza. Nós temos no Brasil mais de 100 grupos que não foram ainda contatados. E nós temos uma série de grupos que foram recentemente contatados, outros que foram contatados há mais tempo e tiveram a opção de voltar à vida antiga, como o grupo do Xingu. Uma quantidade de índios que fotografei no Xingu já foram urbanos, já urbanizaram, não gostaram da vida urbana –aqui eles eram simples lumpen, proletariado. Não chegaram nem a ser proletário, eles ficaram lá embaixo, subclasse da subclasse. Uma quantidade deles morreu de tristeza e outros voltaram a integrar a tribo, voltaram a ser indígenas outra vez, depois de uma experiência urbana. Então você tem todas as escalas possíveis aí dentro do nosso país. Acho isso importante, as fotografias do “Genesis” para as pessoas conhecerem essas culturas e respeitá-las.

Sei que você fez muitas imagens que são de caráter urbano, de cidades, mas é óbvio que você é mais conhecido pelo seu trabalho ligado a natureza. E, ao mesmo tempo, sua esposa é arquiteta de formação, e o livro, na edição de luxo, tem um objeto, uma mesa, que foi feito pelo Tadao Ando, que é super conhecido pelas obras com concreto. Você tem interesse em fazer algum trabalho que seja realmente urbano, que seja realmente diferente do que você já fez ou que trabalhe, por exemplo, com o mercado financeiro, se a gente ainda ficar dentro do tema “trabalho”?

Mercado financeiro, não. Eu já fiz fotografia do mercado financeiro, sou obrigado a fazer muita fotografia comercial para sobreviver. Já fiz relatório anual de banco, já trabalhei fotografando a bolsa de Londres, o mercado financeiro em vários lugares, na China. Fotografei a instalação das bolsas na Rússia, o início do mercado financeiro de Xangai. Eu fiz várias coisas, mas dentro de uma encomenda comercial. Recebi uma proposta de criar um grande centro cultural em Londres onde foi uma grande central hidrelétrica. Me convidaram para fazer um trabalho durante 10 anos da reconstituição desse local, transformando-o em um lugar cultural. Não sei se vou aceitar, mas é uma proposta interessante. Mas o que eu tinha vontade realmente de fazer como trabalho fotográfico hoje é ir para o Brasil e fotografar várias tribos que ainda não fotografei, que eu tivesse a possibilidade de trabalhar com elas no sentido de ajudar principalmente a juventude brasileira –quem está na escola secundária, quem está na universidade– a ter um respeito maior pelas nações indígenas, pela nossa verdadeira história, pelo que é forte nessas comunidades, o que tem de traços culturais imensos, profundos e que as pessoas desconhecem e às vezes desprezam no Brasil. É isso o que eu teria na realidade muita vontade de fazer.

E o documentário sobre o “Genesis” que seu filho vem fazendo com o Wim Wenders? Como aconteceu a união?

Wim é um fotógrafo. Além de ser um grande cineasta, é um fotógrafo. É um colecionador de fotografia, colecionava minhas fotografias há muito tempo. Então a gente se conheceu muitos anos atrás e o Juliano, meu filho, começou a fazer uma série de reportagens comigo, viajando no projeto “Genesis”. A gente pedia uma série de fotografias para fazer uma espécie de making of, então ele veio em algumas e depois, discutindo com o Wim, veio nascendo a ideia de se fazer, quem sabe, um filme a partir daí. O Wim começou a participar mais, começou a vir a Paris, me entrevistar, entrevistar a Lélia [esposa e editora do trabalho do fotógrafo]. Juntos, eles resolveram fazer um filme, tomaram essa decisão, já estão trabalhando. Na realidade, eles começaram a montar esse filme no ano passado, no meio de setembro, e ainda estão montando até hoje. Deve terminar isso lá pelo fim de outubro, para possivelmente ser apresentado no ano que vem no Festival de Berlim. É um longa metragem, um filme de uma hora e meia, que vai para o cinema.

Pensei que isso estaria junto com a exposição do Sesc.

Pois é, mas não vai estar. A gente também pensou. Eles pensaram em lançar o filme em Cannes, depois não deu para terminar a montagem. Passaram para o festival de Veneza e Toronto, que coincidiam, também não deu. E agora passaram para o ano que vem. Eu espero que termine para Berlim. Mas esse negócio de cinema é complicado. Agora, eu não entendo bem, a montagem ta sendo feita aqui, fui só um pouco a vítima desse negócio todo.

Em uma entrevista recente sua, você falava que falta coração aos jovens fotógrafos. Como você enxerga esses jovens e o que estão produzindo? Tá tudo muito relacionado com o mercado?

Eu acho, com muita sinceridade, que um trabalho de arte só passa a ser arte de verdade se um dia, depois do desaparecimento de quem criou esse trabalho, servir como referência do momento histórico que esse criador viveu, que isso passa a ser parte do acervo –ou de um museu, não importa– da comunidade onde ele viveu, passa a ser uma referência. E passa a ser um patrimônio da sociedade, aí realmente vira um trabalho de arte. Então eu acho de uma importância capital você dedicar a sua vida ao seu trabalho, você tentar ter uma compreensão da sociedade em que vive, que o seu trabalho seja relacionado a ela e que, dessa forma, você tenha uma possibilidade de transmissão, porque você está entrando na linha de preocupação de todos os seus concidadãos no momento em que está vivendo. E acho perigoso você criar arte pela arte, você produzir um objeto e dizer “este é um objeto de arte”—e às vezes você até vende como arte, mas precisa saber se vai resistir à história. É para isso, para resistir, possivelmente você tenha que tentar ter uma compreensão melhor da sua sociedade, da economia, dos problemas sociais. Olha, eu estive aqui no Paris Photo, que é uma das maiores feiras de arte de fotografia do mundo. É impressionante quando você vê os números, as centenas de galerias de fotografia. E aí você pode ver nitidamente as fotografias que foram feitas para ser vendidas ali e as que foram feitas mais relacionadas a um resultado de longo prazo de quem criou.

Para acabar, vou fazer uma pequena provocação e espero que você não me leve a mal. “Genesis” é um trabalho que fala sobre um estado inicial, sobre um começo, e ao mesmo tempo você está chegando aos 70, que é uma idade muito mais ligada à velhice do que a um início. Como você enxerga sua carreira nesse ponto? O que você quer fazer? Você vai passar mais 10 anos fazendo um único projeto? Como você enxerga esse momento?

SS – Se eu tiver sido uma pessoa extremamente visionária, o que eu não fui seguramente, meu primeiro trabalho fotográfico teria sido o “Genesis”. Mas, engraçado, tá sendo possivelmente um dos últimos. O “Genesis” veio para mim como para fechar um ciclo, um ciclo da minha vida, onde trabalhei com vários níveis de preocupação. O mundo do trabalho, da imigração, o mundo explorado. Eu poderia ter aberto esse círculo com o “Genesis”, eu to fechando. Fiz assim porque foi minha evolução, minha vida, um trabalho que fui vendo. Não fui um fotógrafo militante, não fui um fotógrafo político, não fui um fotojornalista. As minhas fotografias são a minha vida. É a minha vida. Então, o que eu vivi, o momento em que me preocupei ou porque achei extremamente bonito ou porque achei extremamente doloroso. Ou porque me revoltou. Ou porque quis mostrar alguma coisa. Isso é a minha vida. Claro, eu estou com 70 anos, to chegando no limite. Se tudo der certinho para mim e eu não tiver um acidente, nem com a minha saúde nem um acidente físico qualquer – um avião cair, for atropelado, não importa – eu tenho no máximo 20 anos pela frente. Com 90 anos eu to indo e indo já em uma idade avançada. Imagina, 20 anos não é nada. Se você olhar para trás – nós estamos em… 2013. 1993 foi ontem, eu lembro praticamente tudo o que eu estava fazendo em 93. Lembro dos meus meninos que estavam aqui, da minha mulher, do meu trabalho, de tudo. 20 anos não é nada, é um lapso mínimo. Em 20 anos acabou. Agora, posso fazer uma série de coisas em 20 anos, porque, na realidade, o limite de você fazer ou não as coisas não é a idade. Em 2008, com 64 anos, eu fiz 850 km a pé no norte da Etiópia, ficaram montanhas imensas, passei várias vezes a 4200 metros e fiz sem nenhum problema. Faria de novo. Acabei de chegar, tem 15 dias, da Floresta Amazônica, estava trabalhado com um grupo de índios, os Awá. Eu passei e, puta, não é brincadeira andar com índio na mata. Índio anda mesmo e tá acostumado, sobe em árvore, salta, passa pra todo lado. E a gente tem um punhado de músculo que não funciona só andando na cidade certinho. Você vai andar no mato e os 4, 5 primeiros dias são um sofrimento. Depois os músculos vão se acostumando e daí vão os 15 dias. Eu podia passar é a minha vida toda lá com eles. Não é um problema de idade, é um problema de cabeça. Se você tiver projetos que você quiser fazer, não tem problema. Lembro que quando estava na agência Magnum, há alguns anos atrás, um dia eu cheguei na Eve Arnold, que é uma fotógrafa inglesa, então com 86 anos, estava lá com as fotinhas dela, com a câmera, saindo para a Índia sozinha para fotografar. Eu falei “Olha, também posso fazer isso”. Então não é um problema de idade, é um problema de você fazer por prazer, ter um projeto, de querer ir. Não importa se o trabalho que você está fazendo talvez não for tão importante como o que você fez antes. Mas importa é que você vai viver a sua vontade, o seu projeto de vida. A hora em que você sabe que não tem mais projetos, aí você pode morrer. Pronto, acabou.

Perfeito. Sebastião, acho que é isso. Só gostaria de agradecer.

Foi um prazer falar com você. To muito de longe, tá muito frio?

Agora parece que melhorou um pouquinho, tá entre 8ºC a 10ºC, o que pra gente já é bem frio. Mas os dias anteriores era coisa da madrugada chegar a 2ºC.

Quando eu era menino, eu terminei a faculdade lá no Espírito Santo e vim para São Paulo fazer o único mestrado em economia que tinha no Brasil. Menino, eu e minha mulher, recém-casados, tinha 23, 24 anos. Chegamos aí, esse frio, acho que fez a gente ficar juntinho até hoje. A gente se abraçava de noite, era tanto frio…

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