Entretempos

Imagens diluídas em diferentes suportes

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Editado por Daigo Oliva, editor-adjunto do Núcleo de Imagem da Folha, o blog aborda os diferentes suportes da imagem, com ênfase sempre na fotografia.

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Cris Bierrenbach expõe autorretratos sobre emprego e idealização

Por DAIGO OLIVA

Policial, enfermeira, jogadora de futebol, empregada doméstica, gari, recepcionista, executiva, aeromoça, chef de cozinha e prostituta.

Essas são as dez profissionais “demitidas” que a artista paulistana Cris Bierrenbach, 48, expõe ao público a partir de hoje na mostra “Fired”, em cartaz na galeria Lourdina Jean Rabieh, em São Paulo.

Em fotografias impressas em tamanho real, Bierrenbach registrou a si mesma vestindo uniformes de ofícios facilmente reconhecíveis para discutir não só a padronização e os estereótipos do trabalho, mas também a crise do mercado.

“Da mesma forma que há o sonho do casamento, do príncipe e do final feliz, a profissão é um sonho também”, explica a artista. “‘O que você vai ser quando crescer?’ é uma pergunta recorrente. Desde sempre a gente tem essa ideia do uniforme, do ideal”, completa. O nome da mostra, em inglês, brinca com as traduções da palavra “fired”. Ao mesmo tempo em que o vocábulo pode significar “demitido”, também faz alusão aos disparos com armas de fogo realizados pela artista contra as imagens.

Depois de se autodocumentar, Bierrenbach levou as fotografias para um estande de tiro, onde, utilizando armas de calibre 12 e 38, mirou a “cabeça” dos autorretratos. Em alguns casos, a artista utilizou explosivos.

Segundo Bierrenbach, ao apagar o próprio rosto, ela deixa de representar a si mesma para se tornar uma condição coletiva. “A minha questão não é o autorretrato, não sou eu ali. Eu acabo me usando como um suporte”.

O recurso é similar ao que a fotógrafa havia utilizado na série “Noivas – Aluguel e Venda”, de 2004. Na obra, Bierrenbach percorreu a rua São Caetano, na região central de São Paulo, conhecida pelas lojas de roupas de casamento, e pegou emprestados diferentes vestidos para se transformar em um catálogo de noivas.

No lugar da cabeça de Bierrenbach, um forte flash escondia o rosto da artista, fazendo o mesmo papel dos tiros e explosivos de “Fired”. “Eu até brinco que essa [nova] série são as noivas dez anos depois, quando elas estão no mercado de trabalho e só estão se ferrando”, conta, aos risos.

FIRED
QUANDO de seg. a sex., das 10h às 19h; sáb. das 11h às 17h; até 17/1
ONDE Galeria Lourdina Jean Rabieh (al. Gabriel Monteiro da Silva, 147, tel. 0/xx/11/3062-7173)
QUANTO grátis
CLASSIFICAÇÃO livre

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