Entretempos

Imagens diluídas em diferentes suportes

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Editado por Daigo Oliva, editor-adjunto do Núcleo de Imagem da Folha, o blog aborda os diferentes suportes da imagem, com ênfase sempre na fotografia.

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Fanático pelo Santa Cruz, fotógrafo de Campos era doce e ‘crítico com tudo’

Por DAIGO OLIVA

Definido como afetuoso e sensível por amigos e colegas de profissão, o fotógrafo pernambucano Alexandre Severo Gomes da Silva, morto aos 36 anos no acidente do jatinho que levava o presidenciável Eduardo Campos, também era conhecido pela qualidade de seu trabalho fotográfico.

Fotojornalista com passagens pelo “Diário de Pernambuco”, “Jornal do Commercio” e freelancer de veículos como a Folha e a revista “Época”, Severo recebeu menção honrosa no prêmio Vladimir Herzog em 2009 pelo ensaio “À Flor da Pele”. O trabalho, fruto de uma reportagem produzida em Olinda, mostrava crianças albinas nascidas em uma família de negros. Ele também participou de exposições na Argentina e na Inglaterra.

Para o fotógrafo e curador Alexandre Belém, 40, com quem o pernambucano trabalhou no “Diário de Pernambuco”, em 2004, Severo era “um cara diferenciado”. “Ele tinha técnica e linguagem própria, fugia da linha conservadora do jornal da época”.

Gil Vicente, 48, editor-assistente de fotografia do “Diário de Pernambuco”, reforça os elogios a Severo. “Era inteligente e muito crítico com tudo. Desde cedo mostrava que seria um bom fotógrafo”, diz Vicente, que conviveu com Severo entre 2004 e 2005, quando ele foi estagiário no jornal.

Torcedor fanático do Santa Cruz e entusiasta da cultura nordestina, Severo havia se mudado há dois anos para São Paulo, onde fez pós-graduação em fotografia na Faap. Em Recife, ele havia abandonado a graduação em publicidade para cursar o tecnólogo em fotografia na Universidade Católica de Pernambuco, a Unicap. Segundo Georgia Quintas, coordenadora da pós-graduação, a ideia dele era deixar o fotojornalismo em segundo plano para fazer mais trabalhos de caráter experimental.

“Severo era muito doce e um sonhador. Queria achar mecanismos para transformar suas imagens em um trabalho de fôlego. A fotografia era a vida dele”, afirma Quintas. O convite para cobrir a campanha de Eduardo Campos surgiu por indicações de amigos. Sua irmã, Patricia Gomes, 34, diz que durante os últimos meses só conseguia falar com ele por mensagens de celular, porque “ele quase nunca atendia às ligações”.

“Ele comentava que a rotina era cansativa, mas estava feliz. Tentei contato hoje, mandando umas fotos de mamãe na academia. Sabia que ia ficar feliz porque ela estava malhando”, conta Gomes.

Em um dos intervalos da campanha, Severo encontrou o jornalista João Valadares, com quem produziu a reportagem sobre as crianças albinas para o “Jornal do Commercio”. “Estive com ele agora em Brasília, há pouco tempo. Ele estava feliz e falamos do que sempre falávamos: do Santa Cruz”, conta.

Fica a saudade de um fotógrafo talentoso e uma pessoa muito carinhosa. Com ele, cinco minutos de papo viravam uma hora de ótimas conversas. Valeu.

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