‘Lua’, de Thais Graciotti

Por DAIGO OLIVA

‘Lua’, de Thais Graciotti (Pingado-Prés) — O que é um fotolivro? Muita gente debate o significado da denominação comum hoje e sua diferença com um livro de fotografias, coisa que já existe faz séculos. Ao menos para mim, um dos grandes motivos para chamar um objeto de fotolivro é sua estrutura semelhante à literatura. No lugar de trabalhos transportados para sua versão impressa sem formar nenhuma narrativa, um fotolivro é pensado para contar uma história com começos, meios e fins. Uma trama em que ficções e documentários são explorados com artifícios visuais. Em “Lua”, de Thais Graciotti, essa relação fica evidente. A obra aproxima Lua e Islândia, costuradas por textos de Júlio Verne sobre viagens espaciais numa época que a tecnologia necessária para tal estava muito distante. O país nórdico, de paisagens gélidas, rochosas e pouco mais de 300 mil habitantes, certamente pode ser considerado um lugar lunar. A artista usa colagens, fotografias e apropriações para narrar seu conto. Em muitas passagens, ela faz referência à imagem clássica de Kenneth Josephson, em que o fotógrafo segura a foto de um navio em frente ao mar. Aqui, a embarcação é trocada por um recorte da Lua sobre o mar islandês, as paisagens locais, o livro de Verne, e por aí vai. Não é um livro impactante, que vá mudar seu rumo de casa até a livraria mais próxima, mas mostra aspectos interessantes de como contar uma história. Distâncias são menores na cabeça de quem quiser imaginar assim.

Avaliação: bom 

Haikai: em críticas curtas, o blog comenta fotolivros lançados neste ano.

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