‘Campo Magnético’, de Carlos Issa

Por DAIGO OLIVA
Foto: Avener Prado/Folhapress

‘Campo Magnético’, de Carlos Issa (Vibrant) — Que sensação indigesta é abrir um fotolivro, gostar das imagens, e terminar sem saber o porquê. Aconteceu com “Campo Magnético”, fanzine de Carlos Issa. Triste, mas acho que falhei todas as vezes em que eu tentei elaborar uma ideia objetiva do que é a publicação. Mostrei o livro para amigos, falei com o artista e, talvez, tenha encontrado uma explicação que me agrada. Mesmo que os objetos presentes no livro sejam reconhecíveis, o flash estourado achata detalhes das imagens em grandes maçarocas brancas. Redes, árvores e capas para carros aparecem chapados e embalados numa estética agressiva. A impressão que dá é que o livro mostra um passeio de carro pela madrugada de São Paulo em que motorista e/ou passageiro estão drogados, quase um devaneio. Mas a obra não conta trama alguma. O importante em “Campo Magnético” são questões formais e o flash é seu tema. Evoca a uma fotografia abstrata, em que a luz é a “planificadora”, tirando o aspecto tridimensional das fotografias. Algo do movimento expressionista abstrato da década de 1950. Na primeira vez em que peguei o livro, só senti que “Campo Magnético” dá a sensação de impacto, de fibra. Fácil de entender? Nem um pouco. Bonito? Não colocaria na parede da minha casa. Mas são obras como essa que estimulam a reflexão e servem como base para outros artistas aplicarem o estudo da forma de maneira mais palatável. Porém, repito a mesma coisa que disse sobre o livro de Breno Rotatori. Falta texto. Falta ao autor e à sua editora dedicarem parte da obra para dar ao leitor, no mínimo, pistas de suas intenções.

Avaliação: bom 

Haikai: em críticas curtas, o blog comenta fotolivros lançados neste ano.

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