‘Centro’, de Felipe Russo

Por DAIGO OLIVA

‘Centro’, de Felipe Russo (autopublicado) – Uma das coisas que eu
mais gosto na vida cotidiana é a sensação de non-sense organizado. Explico: situações que se encaixam quase sem querer e nos oferecem “esculturas” involuntárias. Você pede uma Coca-Cola no bar, e o gelo e o limão criam uma barreira intransponível bem na metade do copo, deixando o fundo vazio e o refrigerante só na parte de cima. Besteiras assim –em que há racionalidade, mas que se conectam de maneira quase ilógica– fazem o meu dia. “Centro”, fotolivro de Felipe Russo, apresenta algumas dessas construções pelas ruas
de São Paulo. Ao percorrer o centro da cidade vazio nas primeiras horas da manhã, ele encontra um poste recheado de pedras, um pneu deixado milimetricamente sobre uma tábua de madeira e caixotes, daqueles de feira, equilibrados um sobre o outro. São os rastros das pessoas que ocupam a região durante o dia, em uma inversão do ritmo insano do bairro –sempre lotado de gente. No entanto, o livro acaba rápido demais. São apenas 21 imagens e, quando o leitor está entrando na obra, já terminou. Deixa a sensação de que “Centro” não decola, apesar do enorme potencial. Mais 20 fotografias com o mesmo fôlego e apuro de Russo não deixariam o trabalho repetitivo. O livro acompanha ótimo texto do arquiteto Guilherme Wisnik.

Avaliação: ótimo 

Haikai: em críticas curtas, o blog comenta fotolivros lançados neste ano.

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