‘Intergalático’, de Guilherme Gerais

Por DAIGO OLIVA

‘Intergalático’, de Guilherme Gerais (autopublicado) – Estamos na última semana antes do segundo turno das eleições e, mesmo com a insuportável pororoca de opiniões nas redes sociais, sempre me surpreendo quando alguém, cuja posição política eu já conheço, publica contrapontos aos seus próprios pensamentos. Me parece mais forte se um eleitor tucano ou de Dilma faz críticas ao PSDB e ao PT, respectivamente. Tudo isso para dizer que, por este ponto de vista, esta resenha pode ter mais validade, já que é escrita por alguém que tem preferência por fotolivros mais concentrados em uma linha narrativa super amarrada. O livro de Guilherme Gerais, ainda que contrarie minhas inclinações, é uma viagem fantástica. Todo em preto e branco, retrata uma jornada mística, misturada a ilustrações que remetem a jogos de tabuleiro. As imagens parecem flertar com algum tipo de bruxaria e, mais do que uma história contada com começo, meio e fim, representa um estado de espírito sombrio e estranho. Se em “Centro”, fotolivro de Felipe Russo, eu havia reclamado da pouca quantidade de fotografias, aqui o problema é o oposto. Com uma edição mais econômica, a mensagem seria ainda mais forte. Sobram imagens. A encadernação também merecia uma atenção maior. Com muitas páginas duplas, o livro não abre com facilidade e é preciso forçar um pouco para ver tudo com clareza, o que vai estragando o livro ao longo do tempo. Ainda assim, “Intergalático” é uma ótima obra de um fotógrafo ousado e esforçado, já que se trata de uma autopublicação.

Avaliação: muito bom 

Haikai: em críticas curtas, o blog comenta fotolivros lançados neste ano.

Curta o Entretempos no Facebook clicando aqui.