Exposição em SP revê exuberância das cores e das distorções de Blumenfeld

Por DAIGO OLIVA

O texto abaixo foi publicado na “Ilustrada” de 5/11 por Silas Martí.

Nada na fotografia de Erwin Blumenfeld esconde o fato que esse artista alemão queria ser pintor. Suas imagens de belas mulheres em anúncios e editoriais de moda vão além do registro seco da objetiva e se tornam exercícios exuberantes de distorções e sobreposições de cor.

Morto aos 72, em 1969, Blumenfeld viu de perto uma série de vanguardas, começando com o dadaísmo, movimento do início do século passado que pregava uma postura iconoclasta em relação à imagem, dando mais poder ao acaso, espaços em branco e silêncios do que a estratégias muito rigorosas.

Uma mostra no Museu de Arte Brasileira da Faap revê como Blumenfeld arquitetou suas imagens estonteantes, de quando começou a retratar clientes da loja de bolsas que tinha em Amsterdã, sua passagem pela “Vogue” parisiense nos anos 1930 até seu exílio durante a Segunda Guerra Mundial.

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Trocando a capital francesa pela metrópole americana no momento em que Nova York se tornou o centro do mundo, Blumenfeld também ajudou a inaugurar uma nova era na fotografia, deslumbrado pelas possibilidades do filme colorido. “Era a época do Kodachrome”, diz Danniel Rangel, curador da mostra. “Ele usava esse filme, mas era influenciado pelos dadaístas quando utilizava filtros de vidro canelado, fitas de cor. Era um pré-Photoshop.”

Um dos exemplos mais emblemáticos dos truques de Blumenfeld é uma capa da “Vogue” americana de 1950, em que o artista alterou no laboratório uma fotografia da modelo Jean Patchett, removendo seu nariz e um dos olhos para criar uma imagem metonímica da mulher. “Ele tentou levar a arte para a fotografia de moda”, diz Nadia Blumenfeld, neta do artista. “Enquanto os diretores de arte das revistas queriam só mostrar as roupas, ele olhava mais para a modelo. Invertia um pouco o assunto da fotografia de moda.”

Tanto que Blumenfeld, que já havia feito obras contra o nazismo, também se engajou no apoio à Cruz Vermelha durante a guerra, criando uma das capas mais famosas da “Vogue”, em que uma modelo aparece velada por vidros cor de sangue. “Ele fez uma revista de moda esconder a moda”, diz Rangel.

ERWIN BLUMENFELD
QUANDO
de ter. a sex., 10h às 20h; sáb. e dom., 13h às 17h, até 18/1
ONDE Museu de Arte Brasileira da Faap, r. Alagoas, 903, 3662-7198
QUANTO grátis

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