Melhores fotolivros 2014: Leo Caobelli

Por DAIGO OLIVA

O Entretempos publica a segunda lista dos melhores fotolivros do ano. Na seleção abaixo, o fotógrafo Leo Caobelli, do coletivo Garapa, escolheu cinco obras brasileiras lançadas –ou relançadas– em 2014. Na segunda (5), o blog já havia colocado no ar os favoritos do crítico e professor Jörg Colberg.

Perdeu? É só clicar aqui. Na sexta (9), a dupla Fabio Messias e Walter
Costa, que fazem parte do Trama –grupo de estudos de fotolivros–, fechará
a semana com outra seleção interessante. Na segunda (12), uma das metades do Entretempos publica sua lista, mas incluirá livros que
devem ser maravilhosos ao vivo, pois só os viu pela internet. =/ Até lá!

Mais um dos bons títulos da editora Vibrant, “Desterro” abre minha lista dos melhores de 2014 justamente por não ser um fotolivro, pelo menos não pelas definições padrões. A obra é uma expedição etnográfica de ficção idealizada por Ícaro Lira com a colaboração de diversos artistas.
O projeto gráfico impecável, aliado ao conteúdo de igual estatura, fazem de “Desterro” um livro a ser consultado por diversas vezes.

Normalmente, quando um fotolivro é ruim, dizemos que ele é um mero catálogo. Lembro de ter lido uma passagem de Michael Mack falando sobre isso: “Muitos dos livros de fotografia traduzem apenas o egocentrismo de um fotógrafo em querer ver suas fotos impressas em um livro, mas isso não o torna um fotolivro, e sim catálogos de exposição”. Em “Poder Provisório”, a parceria entre o curador Eder Chiodetto e a designer Milena Galli produziu o oposto, um catálogo digno de ser considerado um fotolivro.

Projeto de conclusão do mestrado de Felipe Russo, “Centro” é um afiado mergulho pela região do marco zero paulistano. Dotado de olhar apurado, técnico sem deixar de ser poético, Felipe produz um fotolivro com espaços, silêncios e respiros que cadenciam um outro centro para a cidade que conhecemos. Vale ressaltar que, para financiar a impressão, o fotógrafo fez uma tiragem especial de pré-venda acompanhada de impressão fine art.

Embora seja uma reedição lançada em 2014, “A Escala de Cor das Coisas” entrou na lista por ser um projeto extremamente alinhado e bem-acabado. Nele, Letícia Lampert cria um paralelo com as escalas de cor pantone, gerando um livro objeto no mesmo formato dessas escalas. Porém, substitui os tons sólidos por imagens fotográficas. O projeto contou com financiamento coletivo, o que garantiu versões com impressões fine art e poster.

Assim como Felipe Russo, Ivan Padovani também produziu um fotolivro a partir de seu projeto de pós-graduação. Em “Campo Cego”, o tema da narrativa também é a urbe em sua essência, São Paulo e suas fachadas cegas. O projeto gráfico é um verdadeiro golaço. As transparências que sobrepõe a cegueira da metrópole transformam o livro em um objeto a ser manuseado com delicadeza, contrapondo o concreto denso que cada página retrata.

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