‘Pain’, de Toni Amengual

Por DAIGO OLIVA

‘Pain’, de Toni Amengual (autopublicado) – Embora não seja uma ideia nova, páginas fechadas que precisam ser rasgadas para revelar seu conteúdo é algo sempre divertido. Todas as vezes em que mostrei “Pain”
para amigos, principalmente aqueles que não estão imersos no mundo dos fotolivros, foi um sucesso. É um objeto fascinante e interativo, mexe com a vontade humana de destruir algo. Você olha a obra uma vez e só vê páginas e páginas amarelas e vermelhas, como a bandeira da Espanha. Depois, começa a rasgar o livro e ele se desnuda. Mas e a fotografia? Dentro de seus segredos, a publicação mostra retratos de anônimos feitos com o telefone celular. São passantes melancólicos, sempre com olhares perdidos, um reflexo da crise econômica que varreu o país na última década. Se editados sem este design ousado, os registros passariam despercebidos. A junção entre fotografia e livro-objeto está descompensada. Lembro-me de “Pain” quase sempre como uma referência de design, e não de fotografia. Tanto é que ainda deixei várias páginas fechadas para que sejam abertas por outras pessoas. Como disse, embora o livro trate de um tema triste, é um objeto divertido. Em tempo: o trocadilho entre “Pain” e “Spain”, como já comentaram, passou da conta.

Avaliação: bom 

Haikai: em críticas curtas, o blog comenta fotolivros lançados neste ano.

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