Cinco pontos sobre a Feira Plana

Por DAIGO OLIVA

A Feira Plana, evento que reuniu mais de 120 expositores de publicações independentes neste fim de semana, no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo, chegou a sua terceira edição com público de 9 mil pessoas, segundo estimativa do museu. O número é inferior ao dado de 2014, quando a feira concentrou 12 mil pessoas em dois dias. Daquela vez, porém, havia também a confluência de visitantes da exposição hiper pop de David Bowie, que acontecia no mesmo período no MIS. Abaixo, observações sobre a feira.

1 – O alemão Jörg Colberg, professor e crítico de fotografia, convidado do evento, repetiu algumas vezes durante a visita à feira que o “Brasil tem, de fato, uma cena de publicações”. O que parece pouco surpreendente para quem acompanha o trabalho de editoras independentes brasileiras e o fluxo cada vez maior de livros e zines produzidos aqui, salta aos olhos de estrangeiros.
A ótima notícia é que esta safra está ganhando também em consistência. O cuidado com tipos de papel, design, formatos e edição de imagens, assim como a qualidade dos conteúdos, estão crescendo na mesma proporção da quantidade de obras realizadas. O cenário é otimista neste momento.

2 – Uma das maiores reclamações do ano passado, a dificuldade para andar entre as banquinhas de expositores, foi amenizada, mas ainda pode melhorar. O fluxo da feira foi aprimorado com o uso de um dos andares do museu, além do novo mobiliário desenhado para a feira. Mas com a continuidade de um grande número de visitantes, algo precisará ser feito para 2016.
Uma ideia: que tal marcar a próxima Plana em um final de semana entre a desmontagem e a montagem de uma nova exposição do MIS? Assim o museu cederia seu espaço integral e evitaria filas na rua, ainda mais quando cai uma tempestade na cidade. Enfim, dores do crescimento.

3 – A ocupação da programação paralela à feira foi surpreendente, o que mostra um grande interesse do público para o que está acontecendo neste universo de publicações. Segundo a assessoria do museu, não há números exatos de participantes das palestras, “mas quase todas estavam cheias ou lotadas, em que algumas ficaram com gente para fora”. Uma das metades do blog mediou duas mesas do evento. A quantidade de pessoas nos dois debates foi ótimo: no começo da palestra de Jörg Colberg, o auditório maior do MIS estava praticamente lotado –cerca de 170 pessoas. Durante a fala, de quase uma hora e 30 minutos, muita gente deixou o lugar, o que é natural, mas a boa ocupação de um espaço tão grande na maior parte do tempo foi admirável. No domingo, porém, a discussão sobre fotografia documental e trabalhos sobre o universo do próprio artista, sobre a qual quero escrever com mais tempo e espaço depois, foi ainda melhor. O público encheu o LABMIS, local para cerca de 60 pessoas, participou, sentiu-se provocado e levantou questões relevantes sobre o que e como estamos produzindo hoje.

4 -É interessante notar a quantidade de lançamentos preparados para o fim de semana da Feira Plana. Ficou claro que esses eventos ajudam editoras a viabilizar novos títulos, impulsionam vendas, aumentam o número de reedições. Como reportou Raquel Cozer na capa da “Ilustrada” de sábado (7), a Feira Plana está inserida em um calendário de feiras que acontecem em várias cidades brasileiras. Em São Paulo, a pioneira foi a Tijuana, que atualmente é feita na Casa do Povo, no bairro do Bom Retiro. O Sesc também já entrou no circuito e fez eventos na unidade do Pompeia e agora no Vila Mariana. No Rio, há a feira Pão de Forma, assim como outras programações em Brasília, Porto Alegre e Recife. Com o fortalecimento deste calendário, novos livros vão aparecer na mesma medida em que as feiras acontecerem.

5 – O que acontece quando nada acontece? O que fica agora é pensar como movimentar este efervescente mercado de publicações independentes nos intervalos entre feiras. Como criar mais espaços para escoar esta produção?

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