‘Playground’, de James Mollison

Por DAIGO OLIVA

Depois de quase um mês de férias de uma das metades do blog, esperamos retornar ao ritmo normal das postagens no Entretempos. Vamos nessa?

‘Playground’, de James Mollison (Aperture) – Ao fechar o novo livro do britânico James Mollison, a única coisa que veio à minha cabeça foi: “Como é ótimo folhear uma edição bem feita”. “Playground” não é uma daquelas publicações com design ousado e traquinagens, mas explicita bem
o que pode ser feito para que um fotolivro não seja chato nem uma sequência interminável de imagens. Assim como fez em “Where Children Sleep”, Mollison volta ao tema da infância e retrata áreas de lazer em escolas para crianças em todo o mundo. Rússia, Reino Unido, Estados Unidos, Quênia –onde o fotógrafo nasceu–, Nepal, Jordânia e Butão são alguns dos locais registrados, sempre de uma perspectiva pré-definida, calculada, pensada. Além do rigor técnico, muito da beleza do livro está na inacreditável “sorte”
de Mollison para captar momentos fantásticos. Numa mesma cena é possível encontrar micro histórias –garotos brigando, um menino isolado pensando na vida, meninas cantando–, o que torna o livro uma espécie de “Onde Está o Wally?”. A quantidade de situações em cada foto é tão assustadora que, talvez, as imagens sejam o resultado da colagem de inúmeros registros feitos de um mesmo lugar. Por meio de um tema muito pop, você conhece questões sociais, políticas, geográficas e, ao fim, o fotógrafo ainda conta histórias de cada lugar. É maravilhoso. No canto de cada página, uma ilustração destaca uma das crianças da fotografia e aí sim o livro se torna um jogo de esconde-esconde. Sobre os aspectos técnicos da obra, “Playground” tem ótima encadernação, que garante a abertura total das páginas sem esforço, e um tamanho que possibilita perceber todos os detalhes das imagens. Não era para ser uma publicação pequeninita muito menos um trambolhão. Em uma época em que fotografar crianças virou quase um sinônimo de pedofilia, imagine só todo o trabalho de produção que Mollison teve para conseguir acesso a todas essas escolas. Um trabalho que merece reconhecimento e atenção.

Avaliação: ótimo 

Haikai: em críticas curtas, o blog comenta fotolivros lançados neste ano.

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