Entretempos

Imagens diluídas em diferentes suportes

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Editado por Daigo Oliva, editor-adjunto do Núcleo de Imagem da Folha, o blog aborda os diferentes suportes da imagem, com ênfase sempre na fotografia.

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Não transforme sua ida à livraria em um almoço num restaurante a quilo

Por DAIGO OLIVA
“Martin’s Parr Money”, fotolivro do britânico Lewis Bush

Existe sensação pior do que almoçar num restaurante a quilo, se empanturrar como um louco e sair do lugar sem nem lembrar do que comeu? Às vezes tenho essa sensação ao procurar novas publicações em livrarias, o que é triste.

Embora eu não saia comprando tudo o que vejo pela frente, de repente o descontrole bate à porta. Quando me dou conta, estou com uma pilha de coisas para levar. Na hora, a sensação é maravilhosa, mas depois fica só o peso do impulso. As razões para fazer isso são várias: empolgação em lojas especializadas, feiras que só acontecem uma vez por ano ou apenas insanidade financeira, uma vez que fotolivros –ainda mais para quem não vive de euros ou dólares– não custam o mesmo que uma feijoada.

Há cinco anos, meu vício era comprar discos de vinil. Nunca fui um colecionador –como não sou de publicações de fotografia–, mas gastava quantias generosas com bandas que gostava e com outras que não gostava também –só fui descobrir depois, como vocês verão. É a vida, a gente compra uma tonelada de coisas que não prestam por motivos sem racionalidade. Então, na minha última semana de férias, fui obrigado pela minha mulher a organizar os discos para arranjar mais espaço em casa.

Descobri não só coisas que ouvi apenas uma vez na vida e não mudou em nada esta mesma vida, como também relembrei outra tonelada de álbuns que amo, mas, sei lá o porquê, há muito não coloco para tocar. Tenho muito medo de que aconteça o mesmo com os fotolivros. Daqui a cinco anos, o que terá sido só uma compra por impulso e quais pepitas ficarão encostadas na estante, sem serem lidas? Por isso, adotei uma lista de mandamentos para comprar fotolivros. Ela foi publicada originalmente em um grupo de discussões no Facebook. Segue abaixo a versão em português.

1. Você nunca conseguirá todos os fotolivros. Aceite. Você não
é o Martin Parr –você tem restrições de tempo e dinheiro.

2. Foque o que realmente te interessa.

3. Escute a opinião dos outros, mas não a siga cegamente. Não importa o quão elevado é o status de quem está falando, é apenas um ponto de vista. Pense por você mesmo e siga seu instinto.

4. Tome cuidado com modas.

5. Seus interesses vão mudar com o tempo. Os livros que você gostava há dez, 20 anos atrás podem não ser tão bons agora.

6. Tome cuidado com a especulação.

7. Armazenamento e espaço em prateleiras são necessários.

8. Seja atencioso com seu parceiro.

9. Não compre o mesmo livro duas vezes porque sua coleção é tão desajeitada que você não consegue lembrar do que tem.

10. Livros raros e caros: coloque-os junto ao seguro da casa.

11. A internet facilita comprar livros como nunca foi possível antes, mas seja cauteloso com grandes lojas –Amazon, Book Depository etc. Podem ser baratas, mas, no final, te afastarão da diversidade.

12. Uma coisa estranha acontece quando um livro começa a ganhar valor de mercado: sua percepção sobre o trabalho será alterada para chegar ao preço atribuído por algum negociante qualquer que vive em uma terra distante. De novo, pense por você mesmo.

13. Não importa quão raro ou caro seja um livro, se mantiver os olhos abertos, provavelmente encontrará uma cópia compatível com o seu orçamento –particularmente se você é daqueles que ficam satisfeitos com cópias imperfeitas e/ou sem sobrecapa.

ps. Lembre-se, é só uma brincadeira. Invente suas próprias regras, coma o quanto quiser –em qualquer restaurante– e compre quantos fotolivros puder.

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