Entretempos

Imagens diluídas em diferentes suportes

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Editado por Daigo Oliva, editor-adjunto do Núcleo de Imagem da Folha, o blog aborda os diferentes suportes da imagem, com ênfase sempre na fotografia.

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‘The Epilogue’, de Laia Abril

Por DAIGO OLIVA

“The Epilogue”, de Laia Abril (Dewi Lewis) – Nunca se discutiu tanto por que os fotolivros não têm público fora do mini círculo da fotografia, ainda que essas publicações tenham estrutura similar à mídias populares, como a literatura e o cinema. Mas, por um aspecto, não é difícil de entender. Muitas vezes, a iniciação neste universo ocorre a partir de obras que necessitam de uma leitura mais demorada, que falam sobre temas da própria fotografia e que pouco se conectam ao leitor “comum” –seja lá o que isso for. Um primeiro contato mais hermético pode afastá-lo para sempre. Não quer dizer que eu defenda trabalhos simplistas para quem está começando a gostar de fotolivros. É que “The Epilogue”, da espanhola Laia Abril, é um bom exemplo de como entender os mecanismos de um fotolivro de forma suave, sem se dar conta de quão complexa é a construção de uma publicação como essa. A obra possui muitas traquitanas de design –com folhas que se desdobram e recortes pendurados– e mistura pesquisa de um álbum de família a retratos feitos para o livro. Isso sem deixar de contar uma história com força e de forma objetiva. “The Epilogue” é a reconstrução da vida de Cammy, garota americana que morreu em decorrência de uma bulimia aos 26 anos, e também de sua família, que ainda tenta lidar com o processo da perda. Sem sentimentalismos, Abril faz entrevistas duras e recolhe aspas brutais sobre como é assistir a uma filha morrer aos poucos. Ao mesmo tempo em que a intimidade que a fotógrafa desenvolve com a família e amigos da personagem impressiona, ela também vai atrás de informações sem emoções: o obituário publicado em um jornal, um boletim escolar, o prontuário de uma de suas internações. O tema da bulimia é algo que aproxima o leitor. A experiência de ter me tornado pai há pouco menos de dois anos faz com que a leitura da obra seja completamente diferente, mas acredito que qualquer pessoa possa se interessar pela questão. De novo, não se trata apenas do tema, mas da maneira como você o desenvolve. “The Epilogue” consome o leitor. É uma obra-prima.

Avaliação: ótimo 

Haikai: em críticas curtas, o blog comenta fotolivros lançados neste ano.

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