Papa da fotografia contemporânea, Martin Parr terá exposição no MIS

Por DAIGO OLIVA

Milhares de boias coloridas de um complexo aquático no Japão e branquelos de uma decadente praia da Inglaterra virão a São Paulo. Ao menos nas imagens de Martin Parr, 63, maior nome da fotografia contemporânea, conhecido pelos registros banhados em humor corrosivo, com o qual retrata a classe média em momentos de lazer.

O britânico fará duas exposições na cidade a partir de outubro. A primeira, na Galeria Lume, trará, entre outros, uma de seus últimas obras, “Black Country Stories”, de 2014 —produzida em uma região inglesa que vive declínio industrial e revitalização por conta dos imigrantes que chegaram à área.

A outra, em 2016, será uma retrospectiva que vai ocupar dois andares do MIS (Museu da Imagem e do Som) e ocorrerá durante a quinta edição do evento Maio Fotografia. Com curadoria do próprio Parr e do brasileiro Iatã Cannabrava —organizador do festival Paraty em Foco—, a mostra percorrerá a obra do britânico por meio dos fotolivros que publica desde os anos 1980.

Segundo Cannabrava, a parte da exposição coordenada por Parr será baseada em sua visão sobre o atual estado da fotografia e reunirá imagens de outros artistas. “A ideia é mostrar o trabalho dele sem divisões. Ele é o colecionador, o fotógrafo, o editor e o curador Martin Parr”, explica o brasileiro. “É um dos mais importantes nomes da fotografia porque é um personagem completo”, finaliza. Parr virá ao Brasil para a abertura da mostra e debates.

O olhar sarcástico sobre consumismo e classes populares —estética copiada à exaustão—, foi construído com cores saturadas e enquadramentos muito próximos aos personagens que retrata. Como numa crônica de costumes, ressalta a comicidade de litros de protetor solar, as texturas de cadeiras de praia e a cafonice de banhistas.

Presidente da lendária agência Magnum, o britânico ganhou ainda mais força nos últimos anos ao atuar como uma espécie de legitimador da qualidade de fotolivros recentes. Dentro deste micromercado, aquilo que Parr atesta tem grandes chances de se tornar um sucesso. Ao lado de Gerry Badger, ele também é responsável pelas compilações “The Photobook: A History”, atualmente em seu terceiro volume. Um trabalho minucioso de pesquisa que pretende construir um panorama do melhor já produzido entre os fotolivros.

Um exemplo do poder do artista é “Martin Parr’s Money”, de Lewis Bush. No fotolivro, encadernado com fios de ouro, há somente as notas que o fotógrafo recebeu de Parr pela compra de um outra obra de sua autoria. Segundo Bush, a ideia seria “meditar sobre a inconstância da fama artística, genialidade e riqueza”. A edição com apenas cinco unidades tem valor crescente —a última cópia custa R$ 74.300. As duas primeiras já foram vendidas.

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