Dez perguntas a Alec Soth

Por DAIGO OLIVA

Na tarde desta segunda-feira (8), o fotógrafo Alec Soth participou de um descontraído bate-papo na plataforma on-line Reddit. Membro da agência Magnum e autor de fotolivros como “Sleeping by the Mississippi” e o recente “Songbook”, Soth falou desde a maneira como pensa a sequência de imagens de suas publicações até sobre a frequência com que joga pingue pongue.

Soth também contou quais são seus fotolivros favoritos –“Solitude of Ravens”, de Masahisa Fukase, e “Uncommon Places”, clássico de Stephen Shore– e como trabalhar com o clichê de maneira intencional, no limite do pastiche, é fascinante. Abaixo, o Entretempos publica dez perguntas e respostas da conversa com o artista americano. Você pode acessar o link com a entrevista completa, aberta a quem quisesse participar, ao clicar aqui.

Assisti a leituras de portfolio no YouTube em que você menciona como a fotografia necessita de narrativa. Você pode elaborar isto melhor? Quando está revisando portfolios para a Magnum, o que faz um trabalho ser bom?

Como a poesia, a fotografia tende a sugerir uma narrativa em vez de contar uma história com começo, meio e fim. Isto é parte da beleza da fotografia, mas também pode ser frustrante. Sobre a Magnum, há taaaantos clichês. Ninguém quer outra história sobre um hospício no Brasil. Queremos alguém com um novo olhar sobre o mundo.

O que faz você embarcar em uma história?

Muitas pessoas mordem mais do que podem mastigar. Em vez de fazer uma história sobre a pobreza no Sul, uma boa história poderia ser a de uma mulher que perdeu seu emprego no Alabama. Caso contrário, seu projeto ficará maior e impossível de realizar (embora, no final, possa ser sobre a pobreza no Sul).

Quais são seus fotolivros favoritos?

“Solitude of Ravens” [de Masahisa Fukase] é o meu favorito de toda a vida. “Uncommon Places” teve um grande impacto quando eu era estudante.

Como você consegue deixar as pessoas tão calmas nas suas fotos?

Um tripé ajuda, mesmo quando você não precisa. Faz com que as coisas sejam mais lentas. Algumas vezes, peço também para que respirem fundo ou para que não falem e pensem em algo como sua casa durante a infância, seus avós.

Você sempre carrega uma câmera com você?

Raramente. Imagens fantásticas ocorrem o tempo todo. Elas são tão onipresentes que você fica louco para persegui-las. Acho que é por isso que me limito aos meus projetos. Posso colocar minha energia e atenção nas imagens que servem ao propósito do projeto.

Você pode descrever como faz a sequência e/ou pareamento de imagens quando está criando um livro?

O processo é muito fluído e intuitivo. Quase musical. Isto é parte da analogia com o título “Songbook”. Um problema que tenho com a fotografia de grande formato é que a sequência tende para um ritmo regular. Com “Songbook” eu estava apto para fazer algo mais melódico.

Você pergunta a si mesmo o que define uma “fotografia boa”? Preocupar-se com o que define uma boa fotografia bloqueia o processo criativo?

De tempos em tempos, reflito sobre isso. Certa vez, fiquei fascinado com “Migrant Mother” [foto de Dorothea Lange]. Por que essa foto fora de foco e retocada é tão boa? Para descobrir isso, tentei fazer minhas próprias “Migrant Mothers”. Minhas fotos são boas, mas não são ótimas. Por quê? Mágica.

Você acredita que um tema clichê, ou um estilo fotográfico clichê, feito de uma forma consciente, quase pastiche, pode resultar em um bom projeto, como por exemplo os filmes do Tarantino?

O clichê é fascinante. É perigoso. No meu caso, escolhi não fugir, eu jogo com o clichê. Tento ir até a borda, sem cair do outro lado. Acho que Tarantino e os irmãos Coen fazem algo semelhante. Às vezes funciona, às vezes não.

Quem fica mais bêbado durante as festas da Magnum?
É o Martin Parr, né?

Varia ano a ano. Eu ganhei o prêmio apenas uma vez, na França, por isso estou planejando beber água potável este ano em Paris.

Com que frequência você joga pingue pongue hoje? Qual é o melhor sanduíche? Devo me mudar para Nova Orleans?

Amei estas perguntas! 1) Não o bastante. Costumava viajar com uma raquete, mas fiquei preguiçoso. Galen e eu jogamos regularmente quando estamos em casa 2) Estou tentando ser low-carb. Comi um hambúrguer em Dever há alguns dias que estava muito bom 3) SIM

Curta o Entretempos no Facebook clicando aqui.