Wes Craven morreu, mas continuará frequentando muitas festas à fantasia

Por DAIGO OLIVA

Wes Craven esteve em todas as festas à fantasia das últimas três décadas. E, mesmo depois de sua morte, neste domingo (30), aos 76 anos, seguirá de festa em festa. Mestre do terror, o cineasta americano concebeu personagens da cultura pop que se descolam de seu criador e ganham vida própria. Não sabe quem era Wes Craven? Mentira, todo mundo o conhece mesmo sem saber.

Em 1984, Craven apresentou “A Hora do Pesadelo”, filme com um serial killer narigudo, cara derretida, chapéu, mãos com garras e um inconfundível suéter listrado preto e vermelho. Terror de toda a garotada que cresceu na década de 1980, Freddy Krueger é um daqueles personagens tão horrorosos que acabam se tornando queridos pelo público. Era também a opção predileta e óbvia de algum funcionário que controlava a programação noturna do SBT, tamanha a quantidade de vezes que o longa foi exibido no canal desde o seu lançamento.

Embora o primeiro filme da série de Krueger tenha sido um enorme sucesso de bilheteria –US$ 25 milhões para um filme com orçamento abaixo de US$
2 mi–, nada se compara ao êxito da franquia “Pânico” –US$ 103 milhões sem levar em conta as continuações. Ali, Wes Craven volta a centrar o horror –de um jeito mais paspalhão e ainda assim genial– em um protagonista insólito e carismático. Um assassino com máscara que faz referência ao rosto retorcido de “O Grito”, pintura de Edvard Munch, persegue adolescentes e os mata em sequência. Nada muito original, mas o cineasta emplacaria outro símbolo que se perpetuou no imaginário cultural pouco mais de dez anos após Krueger.

Craven faz parte daqueles diretores que não “pega bem” cultuar. É, muitas vezes, associado a coisa de adolescente, nerds e bobos em geral. Pode até ser, mas é muito difícil criar figuras que se perpetuam de forma tão brutal dentro da cultura pop como ocorreu com Freddy Krueger e a máscara do “Pânico”. Mesmo que tenha feito alguns outros longas, como um dos episódios de “Paris, Eu te Amo”, em que um casal em lua de mel prefere buscar o túmulo de Oscar Wilde em vez de visitar locais turísticos de Paris, essa é a sua marca.

No Facebook, logo após a morte do americano, a jornalista Marina Della Valle contou um caso que resume a força de Wes Craven. “Um dia topei com ele em uma coletiva da série de filmes ‘Pânico’, em Londres. Fiquei olhando, ele me perguntou se eu estava bem. Respondi que ele já tinha me assustado muito nessa vida, ele riu e fez um ‘ó coitada’, com abracinho e tudo.” Que fofo.

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