Entretempos

Imagens diluídas em diferentes suportes

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Editado por Daigo Oliva, editor-adjunto do Núcleo de Imagem da Folha, o blog aborda os diferentes suportes da imagem, com ênfase sempre na fotografia.

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‘O Vazio É um Espelho’, de C. Wallauer

Por DAIGO OLIVA

‘O Vazio É um Espelho’, de Carine Wallauer (autopublicado) –
Uma linha torta divide os trabalhos que se conectam aos seus leitores e os
que são anódinos para aqueles que os leem. Em muitas vezes, tramas pouco familiares seduzem pela forma como são contadas. Em tantas outras, uma série de imagens soa como algo que só faz sentido na cabeça de quem a concebeu. A fotografia é um embate interessante justamente porque, embora seja ligada ao registro do real, opera em níveis muito subjetivos. “O Vazio É um Espelho”, de Carine Wallauer, é uma peça delicada. Embalado em papel arroz, o trabalho tem costuras que atravessam o fotolivro, desde o título na capa até as últimas páginas, unidas por uma linha preta. Ainda que seja produzido de maneira artesanal, foge do padrão de publicações que deixam um aspecto desleixado, tosco. Segundo a autora, a obra é “um exercício sobre o modo como nos projetamos em outras pessoas”. “A resistência em confrontar o próprio vazio. Autorretrato em espelho, através dos olhos de um outro.” Não me parece uma tarefa simples. A estratégia de usar uma outra pessoa para fazer uma autorrepresentação, embora não seja original, é formidável. Trabalha com o jogo de espelhos do retrato. Para isso, Carine recorre ora a quadros bem abertos, de paisagens áridas e delirantes, onde uma mulher aparece nua, ora a uma sucessão de fotos de um mesmo rosto. A maior parte de “O Vazio…” está nesta suposta repetição, já que as fotos não são iguais, algo que poderia sugerir ao livro a estrutura de um flipbook. A repetição de imagens é um recurso fantástico, que dá ritmo à edição, reforça argumentos, une pontas soltas que se encontram em algum momento. Nesse caso, no entanto, seu uso foi excessivo, principalmente porque este é um fotolivro curto, de apenas 30 páginas. Aqui, a repetição fez com que a obra ficasse presa a uma ideia que não decola. O espelho se tornou um vazio.

Avaliação: regular 

Haikai: em críticas curtas, o blog comenta fotolivros lançados neste ano.

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