Melhores fotolivros de 2015: Fabio Messias

Por DAIGO OLIVA

Após Jörg Colberg, agora é a vez do fotógrafo Fabio Messias mostrar quais foram seus fotolivros preferidos em 2015. Além do crítico alemão e do cofundador do grupo de estudos de fotolivros Trama, o Entretempos publica ainda os eleitos de Walter Costa e Leo Caobelli. Bom final de ano!

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Takashi Homma – ‘New Documentary’ (Super Labo)

Um livro que saiu no final de 2014, entre novembro e dezembro, portanto teve sua distribuição e vendas praticamente em 2015. Takashi Homma “brinca” de fazer um livro sobre três exposições recentes de seu trabalho. O exercício tem um resultado maravilhoso, muito inteligente e se apoia em uma narrativa pessoal belíssima. O livro tem um pensamento metalinguístico e chega a ter o mesmo nome de um outro livro do autor. Para fechar, a produção do livro pela editora japonesa Super Labo é de altíssimo nível e de muito bom gosto. O livro que mais vi e revi esse ano.

André Penteado – ‘Cabanagem’ (Editora Madalena)

O melhor livro publicado pela jovem Editora Madalena até aqui. André Penteado mira seu flash —marca de outros trabalhos do fotógrafo— agora na Cabanagem, grande revolta social que ocorreu no século 19 no Grão-Pará. Em uma pesquisa que tenta encontrar marcas da história brasileira no presente, André parece desvendar o Brasil atual em seu livro: ainda belo em sua natureza, mas profundamente violento, burocrático e sem saída. Vale também ressaltar o design e a produção caprichada do livro, que vem em um envelope junto com um segundo pequeno livro com retratos de moradores da região e um encarte em papel jornal com um texto da historiadora Magda Ricci.

Irina Rozovsky – ‘Island in my Mind’ (Verlag Kettler)

A mágica Cuba da fotógrafa russa foge de qualquer clichê fotográfico sobre a ilha, é uma aula de edição e tem um ótimo design. Por meio da inteligente sequência das imagens, Irina consegue uma espécie de magnetismo imagético em suas duplas páginas que reforça ainda mais o clima labiríntico da narrativa. Tal efeito magnético parece fazer com que você seja sugado para o centro do livro, como se um hipnólogo estivesse sussurrando um “venha, venha” dentro da sua mente, te levando para dentro de uma espiral de lindas imagens. Obviamente, o livro tem um espiral de metal dourado como encadernação. Maravilhoso em muitos níveis!

Thomas Sauvin – ‘Until Death Do Us Part’ (Jiazazhi)

Mais um livro do projeto Beijing Silvermine, do francês Thomas Sauvin. Dessa vez, Sauvin foca uma tradição chinesa de brincadeiras com cigarros em casamentos. Essas brincadeiras e jogos parecem ser os mais loucos e diversos, e as fotografias do livro são divertidíssimas. Para fechar primorosamente, o livro é do tamanho e vem dentro de uma caixinha de cigarros da marca mais tradicional da China. E, claro, tem cheiro de cigarro, já que as caixinhas são originais.

Hiroshi Takizawa – ‘MASS’ (New Fave)

O conceito é maravilhoso, com uma das melhores ideias de layout/design amarradas ao conceito do trabalho que vi nesse ano. Takizawa tem uma pesquisa que investiga potencialidades escultóricas e/ou abstratas na fotografia e leva essa pesquisa para a produção de seus livros mais recentes. Em ‘MASS’, fotografias de detalhes de prédios —focando sempre seus materiais de produção como concreto, cimento, mármore— são recortadas, sobrepostas, recriadas e transformadas em novas imagens, como se o processo de transformação dos materiais naturais para a criação de prédios fosse replicado em seu processo de criação de imagens. E a grande sacada ao colocar este conceito em livro vem no design: cada página do livro tem um tamanho diferente, o que confere uma ’massa em particular’ para a página e para a fotografia contida nela. Ideia, conceito, trabalho fotográfico e o design do livro estão todos amarrados. E o perfeccionismo japonês na produção: tecnicamente parece impossível de encadernar um livro assim, mas a sinopse faz questão de citar que o livro é encadernado com um método todo desenvolvido para ele.

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