Fotolivro ‘Aeroporto’, de Cássio Vasconcellos, perde impacto de seu gigantismo ao fragmentar imagem

Por DAIGO OLIVA

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‘Aeroporto’, de Cássio Vasconcellos (Editora Madalena) – Há dois anos, o mote do terceiro Encontro Pensamento e Reflexão na Fotografia, realizado no MIS, era “tudo no mundo existe para terminar num livro de fotografia”. Embora quase tudo no mundo exista para terminar num livro de fotografia, nem sempre este é o melhor formato para determinados trabalhos. Em “Aeroporto”, o paulistano Cássio Vasconcellos publica uma de suas obras mais interessantes, na qual, por meio de uma engenhosa manipulação digital com fotos áreas tomadas no Brasil e nos Estados Unidos, constrói uma imensa pista de aviões. Quem já viu a obra em mostras percebe de cara o impacto oferecido pela imagem: um paredão surreal que provoca a imaginação ao exibir um espaço milimetricamente pensado, asséptico e onde tudo se encaixa. Nas exposições, o espectador vê o todo –impressionante– e depois se aproxima para buscar detalhes, num jogo similar ao da série de livros “Onde Está o Wally?”. De perto, identifica companhias aéreas, bagagens, caixotes etc. e se deslumbra com pontos de cores oriundos das pinturas das aeronaves em meio a um vasto campo cinza. O problema na versão em fotolivro é que o processo se inverte. Em vez de iniciarmos a leitura pela perspectiva geral do aeroporto e, com isso, pelo espanto que o gigantismo do trabalho propicia, a obra vem fragmentada em 32 partes. Se o leitor quiser, pode destacar as imagens e remontar o aeroporto, mas quem vai gastar R$ 240 para esfacelar um livro com acabamento tão bem feito, cuja capa, feita de acrílico, remete ao fabuloso “This Year’s Model”, do japonês Go Itami? Tenho dúvidas. Talvez quem não tenha visto “Aeroporto” em museus não sinta falta deste choque inicial. Tenho certeza, porém, de que se trata de um livro interessante; é possível gastar um bom tempo reparando em detalhes da pista, e a inventividade do processo é louvável. Também em exposições, Cássio repetiu o processo de colagem digital ao criar uma praia gigante e lotada.

Avaliação: bom

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Haikai: em críticas curtas, o blog comenta fotolivros lançados neste ano.

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