Feira Plana deixa MIS e negocia 5ª edição na Bienal

Por DAIGO OLIVA

Após quatro anos, a Feira Plana, maior evento de publicações independentes do Brasil, deixará de ser realizada no MIS (Museu da Imagem e do Som de São Paulo) e deverá ocupar o prédio da Bienal. O acordo entre Bia Bittencourt, criadora da Plana, e a fundação está “bem encaminhado” e será fechado em breve, diz Emilia Ramos, gerente de relações institucionais e captação da Bienal.

Segundo Bia, que também é editora de vídeo da TV Folha, a mudança ocorre devido ao crescimento da feira e à demanda por mais espaço. “O MIS foi muito adorável para a Plana, sempre ajudou, além de a equipe ter virado quase uma família, mas o prédio do museu é um pouco difícil para organizar feiras e está quase sempre ocupado”, explica ela. “Preciso criar espaços do zero, como no estacionamento.” No ano passado, depois de a segunda edição da Plana receber, segundo estimativa do MIS, cerca de 15 mil pessoas em um único fim de semana, a organização decidiu diminuir o número de expositores de 150 para cem. Neste ano, a feira voltou ao número anterior, mas ganhou um terceiro dia para tentar diluir a visitação e assim melhorar a circulação. No novo local, afirma Bia, a feira manterá o modelo de três dias e seguirá com entrada gratuita.

Dos 25 mil m² de área do prédio da Bienal, dentro do Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, a feira deverá usar, segundo Emilia, até 5.000 m², ocupando o térreo e o mezanino. Para efeito de comparação, os espaços do MIS, de acordo com dados do site da Secretaria de Turismo de São Paulo, somam 1.360 m² de área, incluindo o auditório e o restaurante. Com a troca de endereço, a Plana também mudará a data de realização. Em vez de janeiro, como ocorreu em 2016, o evento deve voltar ao mês de março. Para o MIS, a saída da Plana foi uma “surpresa”. “Foi uma decisão unilateral, afinal desde a primeira edição fomos muito parceiros na realização do evento”, afirma, por e-mail, a assessoria de imprensa do museu. A instituição também diz que, como a temática é muito interessante para o seu público, pensa em fazer um evento nos mesmos moldes no segundo semestre deste ano. De acordo com a assessoria, a Plana era o evento realizado fora do espaço expositivo com maior ocupação do museu. “A cada ano o espaço disponível para a feira foi ampliado. Não houve qualquer proposta de aumento de espaço para 2017”, completa.

Se a feira ganha em tamanho, por outro lado deixa de receber ajuda na produção. Enquanto o MIS colaborava com a realização do evento, a Bienal se limitará à cessão do espaço, que é alugado. Segundo Bia, a organização deixa de gastar com estrutura, e passa a usar parte do dinheiro para o aluguel do prédio. A edição do próximo ano marca também a primeira vez em que a Plana recorre a verbas captadas via lei Rouanet. Com custo de R$ 90 mil para cada edição até então, o evento quer diminuir prejuízos e conseguir remunerar melhor os funcionários de sua equipe de produção. Neste ano, a criadora da feira diz ter acumulado débitos de R$ 30 mil.

A Feira Plana reúne, desde 2013, editoras independentes, palestras, oficinas e debates. Neste ano, o evento trouxe ao Brasil o fotógrafo suíço Miklós Klaus Rózsa e realizou a exibição do longa “Preto Sai, Branco Fica”, de Adirley Queirós. Em 2015, o crítico e professor de fotografia Jörg Colberg foi um dos convidados, em palestra mediada por uma das metades do Entretempos. “Achei que mudar poderia ser inspirador, assim como mudar de cidade ou de escola. Espaços e arquiteturas novos, problemas novos para resolver, público espontâneo de outra vizinhança e a curiosidade da novidade. Além da responsabilidade de usar um Niemeyer daquele porte”, afirma Bia.

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