Martin Parr fará fundação para preservar sua obra

Por DAIGO OLIVA

Há pouco mais de uma semana, o fotógrafo britânico Martin Parr inaugurou no MIS-SP (Museu da Imagem e do Som) uma grande retrospectiva de sua obra. No sábado (18), dia da abertura, ele participou de uma entrevista, aberta ao público, junto ao curador da mostra, Iatã Cannabrava.

Além de fotógrafo cuja linguagem sarcástica foi copiada por milhares de artistas, Parr, 64, é curador, pesquisador, colecionador e professor. Expandiu seus tentáculos de tal maneira que, hoje, é um dos principais elementos inflacionários do pequeno, mas relevante mercado de fotolivros.

Na conversa, mediada pelo Entretempos, Parr discorreu sobre a principal mudança em sua carreira, ainda na década de 1980, quando deixou as imagens em preto e branco para mergulhar nas cores e em enquadramentos menos ortodoxos. Ele, porém, foi muito além: falou sobre a então possível saída do Reino Unido da União Europeia, a atual situação financeira da Magnum, agência da qual é presidente, e revelou que planeja abrir uma fundação para preservar sua obra.

O instituto, que nunca havia sido comentado publicamente, será em Bristol, na Inglaterra, a cerca de 190 km de Londres. Além de manter o acervo do artista, a fundação de Parr terá como objetivo estimular a produção de fotógrafos documentais britânicos. Quando perguntado pelo público se a instituição seria destinada a promover educação visual para crianças, Parr respondeu, com a costumeira ironia, que “não pode resolver todos os problemas do mundo”.

Essa não seria a única alfinetada do britânico durante a entrevista. Ao mesmo tempo em que elogiou os fotolivros latino-americanos, que, segundo ele, são carregados de muita energia, criticou a “superconceitualização” de muitos trabalhos produzidos no Brasil. Afirmou também que há entre os fotógrafos nacionais uma insistência no tema indígena, ao ponto de se perguntar qual era, afinal, a contemporaneidade do país. Em alguma –grande– medida, é impossível discordar de Parr.

Para saber mais informações sobre a retrospectiva no MIS, leia a reportagem de Silas Martí. Há ainda uma análise do Entretempos, também publicada na “Ilustrada” de sábado (18), sobre por que Martin Parr se tornou um nome tão importante na fotografia contemporânea. Abaixo, você pode assistir ao vídeo com a íntegra da entrevista realizada no dia da abertura da exposição.

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