Nova sede do Instituto Moreira Salles em SP terá biblioteca especializada em publicações fotográficas

Embora a nova sede do Instituto Moreira Salles em São Paulo vá comportar um auditório de 150 lugares para exibições de cinema e concertos, a menina dos olhos do centro cultural é a fotografia.

Além de mostras de artistas que trabalham com o suporte, o prédio na avenida Paulista, com inauguração prevista para julho de 2017, terá uma biblioteca de 230 metros quadrados especializada em publicações fotográficas e com capacidade para 30 mil títulos –10 mil livros ficarão na parte aberta ao público, enquanto o restante será alocado numa reserva técnica.

Para formar a biblioteca, o instituto comprou acervos inteiros de colecionadores, caso do produtor cultural Iatã Cannabrava, que vendeu seu arquivo de cerca de 4.000 volumes, entre fotolivros, periódicos e folhetos, por R$ 450 mil. É uma coleção extensa, que vai de títulos brasileiros clássicos –e raros–, como “Amazônia”, de Claudia Andujar e George Love, a livros recentes que ganharam relevância instantânea, como “Surrendered Myself to the Chair of Life”, do japonês Jin Ohashi.

Assim como Cannabrava, o fotógrafo Paulo Leite também negociou seu acervo com o IMS. Entre os cerca de 500 livros que vendeu, há todos os títulos de Miguel Rio Branco e um exemplar original de “The Americans”, de Robert Frank. O local também abrigará as 483 edições da “IrisFoto”, revista brasileira criada em 1947 pelo austríaco Hans Koranyi e que publicou obras de nomes como Mário Cravo Neto, Boris Kossoy, Otto Stupakoff e Jorge Bodanzky. O arquivo da publicação, extinta em 1999, estava em poder de Beatriz de Azevedo Marques, neta do criador do periódico.

“Uma grande instituição se propor a fazer uma biblioteca especializada em fotografia é iniciativa única no Brasil”, diz Miguel Del Castillo, responsável pela curadoria. “Espero que contribua para a reflexão em torno da fotografia e dos fotolivros no país, bem como para a difusão dos mesmos.”

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