Fotógrafa Teresa Eng materializa traumas do estupro em obra com diversas camadas e papéis

Por DAIGO OLIVA

“Speaking of Scars”, da canadense Teresa Eng, está entre os meus fotolivros favoritos. Ele foi lançado em 2012 por uma editora chamada If/Then que, desconfio, só tem esse título.

Para entender o porquê de essa obra ser tão impactante, é preciso entender o contexto em que ela foi produzida. No final da década passada, Teresa estava em Calais para um projeto sobre migração. Calais, no norte França, é um ponto de passagem para quem quer chegar à Inglaterra ilegalmente. A questão é que durante a realização desse projeto, ela foi estuprada.

Num pequeno texto ao final do livro, ela explica que depois de voltar à rotina, o trauma do estupro retornava em flashbacks, em memórias que, para ela, eram incontroláveis. A fotografia então se tornaria um mecanismo para dar algum tipo de controle sobre aqueles acontecimentos. É, basicamente, um fotolivro sobre como lidar com a memória de uma desgraça.

O impressionante é que Teresa prova que é possível transformar esta sensação em algo palpável. Há uma frase do Harald Szeemann, um curador importantíssimo, que resume bem o que estou dizendo: arte é quando as emoções tomam forma, quando elas se materializam.

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