Gui Mohallem investiga suas origens familiares libanesas em ‘Tcharafna’

Em dezembro de 2012, ao mesmo tempo em que lançava o fotolivro “Welcome Home”, Gui Mohallem já estava em meio a uma nova pesquisa.

Em primeira mão, o mineiro publicou aqui no Entretempos as imagens de seu então inédito projeto “Tcharafna” ou melhor, “prazer em conhecê-lo” em libanês. De lá para cá, o trabalho –que procura aproximar o fotógrafo de suas origens familiares– foi exposto em Belo Horizonte e São Paulo.

Agora, Mohallem transforma “Tcharafna” em um fotolivro por meio da editora Pingado-Prés. Nesta nova versão, as 13 obras exibidas nas mostras recebem novas imagens registradas em uma segunda viagem ao Líbano e adaptam os objetos de parafina em páginas de papel craft e tinta vermelha.

A obra será lançada no próximo sábado no stand da galeria Emma Thomas durante a feira SP-Arte (as informações completas estão no final do post).

Descendente de libaneses, o fotógrafo aproveitou uma residência artística no país para encontrar parentes, raízes e assim desvendar a figura do próprio pai.

Segundo o fotógrafo, a primeira viagem para o Líbano, entre maio e junho de 2012, foi um jeito de tentar investigar o segredo de seu pai, que emigrou para o Brasil há 60 anos. O tal segredo, Mohallem não revela de jeito algum.

O mineiro passou a entrevistar familiares em Fakiha, no vale do Bekaa, nordeste do país, onde produziu fotografias e vídeos. O passado paterno aos poucos foi se aproximando não só por meio das conversas com membros remanescentes da família mas também na medida em que o artista melhorava seus conhecimentos no idioma local. Foi a partir de um poema que seu pai ouviu uma única vez quando tinha dez anos que “Tcharafna” nasceu.

A obra vem em um envelope e todas as folhas são soltas. Em 72 páginas, Mohallem registra paisagens locais, partes de álbuns de fotografias antigas, restos de frutos e imagens delicadas que vão desde o painel frontal de um carro –com um charmoso mini ventilador– até o portão de um casa onde uma faca repousa entre as grades. Como definiu o crítico da Folha Fabio Cypriano sobre “Welcome Home”, “as imagens podem levar o observador a criar uma narrativa que pode ser independente de sua ‘verdade original'”.

Com a generosidade de sempre, Mohallem exibe no vídeo abaixo, pela primeira vez, o resultado final do fotolivro “Tcharafna”.

TCHARAFNA
AUTOR Gui Mohallem
EDITORA Pingado-Prés
QUANTO R$ 70 (72 págs.)LANÇAMENTO
ONDE no stand da galeria Emma Thomas na SP-Arte (Pavilhão da Bienal, pq. Ibirapuera, portão 3, mais informações em sp-arte.com)
QUANDO sáb, 5/4, às 16h
ENTRADA R$ 40

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