O que faz uma fotografia ser boa?

DAIGO OLIVA

O que faz uma fotografia ser boa? A pergunta foi feita pelo crítico alemão Jörg Colberg há sete anos e é quase impossível chegar a uma conclusão.

“Sabemos o que é uma imagem boa quando vemos uma. Mas descrever o que faz com que ela seja boa é um assunto completamente diferente”, definiu.

O que parece ser simples é, na verdade, uma grande interrogação.

O Entretempos quer retomar a mesma pergunta para curadores, fotógrafos, pesquisadores e críticos de fotografia. Mas, sobretudo, questionar escritores, arquitetos, corretores, cineastas, pedreiros, advogados ou qualquer outra profissão sobre o que faz uma fotografia ser boa. Inclusive, claro, você: leitor.

Se o mundo já não é mais dividido em produtores e consumidores de imagens e todos compartilham milhões de fotos todos os dias em redes sociais, apenas uma pergunta como essa pode ajudar a entender nosso próprio universo.

Em textos curtos, de até 1200 caracteres, o blog convida você a responder o que, afinal, faz uma fotografia ser boa. As melhores argumentações serão publicadas neste espaço (o blog reserva o direito de editar as mensagens).

Envie sua resposta para entretemposblog@gmail.com. Todos os e-mails devem ser acompanhados do nome completo, idade e profissão do remetente.

Na semana que vem, a gente já começa a publicar as eventuais respostas dos leitores e de pessoas questionadas pelo blog. Vai ser divertido. Até lá!

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Comentários

  1. A questão já foi explicada pelo próprio Cartier-Bresson, quando definiu o que é fotografia”: “é o reconhecimento simultâneo, em uma fração de segundo, da significância de um evento, e de uma precisa organização de formas que dão àquele evento a sua melhor expressão”. Vai ser difícil alguém chegar com uma definição melhor que essa.

    1. Pois é, Lorenzo, mas já faz um tempo a própria fotografia do Bresson, centrada no instante decisivo, já vem caindo em desuso. Ou seja, podem aparecer definições novas do que faz uma fotografia ser boa. Ainda bem.

      1. Só pra constar, a fotografia de Bresson ainda é fantástica, pois é atemporal, não faz uso de recursos modais, muito vistos hoje em dia. E o momento decisivo, pra quem não sabe, é quando geometricamente a foto estava perfeita pra ser tirada. Fotografia, infelizmente, ficou banalizada, já que é o meio mais instantâneo de se expressar, ao contrário de pintura, escrita e etc. E isso acaba claramente mostrando todo um contexto sócio cultural de um fotógrafo, muitas vezes apenas ordinário, no seu melhor

        1. Também continuo achando a fotografia de Bresson fantástica, embora não o encare de maneira messiânica. sobre a banalização, eu vejo o lado bom… a fotografia é o meio mais democrático que existe e o que consegue captar o nosso período de forma mais imediata. quanto mais gente fazendo, melhor.

          1. Quero dar parabéns pra vcs. Falar de fotografia como vcs falam aqui é coisa de herói. Sou fotógrafo e dou aula de fotografia. Fiz cursos como com o Carlos Moreira e etc. Na minha opinião, vcs fazem um ótimo serviço! Mas ainda acho que a fotografia está banalizada. Veja quantos comentários são gerados ao falar de Koudelka, Gui, Gregory e etc…público da UOL ve corinthians e etc…rsrsrs. Grandes fotógrafos pouco são citados. A uol nunca dá o nome de fotógrafo na chamada, apenas diz “fotógrafo faz isso”….vide os tempos aonde a obra é fugaz…rs. Parabéns mais uma vez! São heróis!!!

    1. mas isso que você está falando é sobre o “fazer” fotografia. a pergunta se refere ao pós, à leitura de uma imagem. quais seriam os elementos objetivos que fazem uma foto ser considerada boa?

  2. Meu amigo Fernando Santos uma vez falou que o fotógrafo (ele se referia ao fotógrafo de futebol, especificamente, mas acho que vale para outras situações) nunca vê a foto pois, no instante do “click” o espelho da pirâmide (o “saudoso” prisma) sobe e a imagem no ocular some. Então eu concluí que sorte ao fotografar é “Sine qua non”. Mas isso foi a muito tempo, não existiam iphones…

  3. O olhar do fotografo, artista e a imagem capturada.
    A luz, a posição, a perspectiva, tudo vai ser relativo com o olhar, a percepção, a magia e a sinergia com o dedo, velocidade, pensamento.
    O que faz um fotografia ser boa, é a mágia!

  4. ser boa para quê? para vender? para exibir em Museu e ? para exibir pros amigos? para mim sozinha?
    para vender, pergunte para o mercado. para exibir em museu, pergunte para o seleto grupo que comanda, ou seja, o mesmo do mercado. rs
    para exibir pros amigos, diga que sabe mexer com a luz e não usa flash.
    para mim sozinha, posso olhar sem explicar.

  5. Fotografia boa é aquela que expressa, fala, cochicha, impacta, a que convida o olhar a uma leitura mais envolvida com a imagem… Fotografia que conversa, revela, incita, transmite, envolve… eis a boa foto.

    1. “aquela que convida o olhar para uma leitura mais envolvida com a imagem”. é uma definição que me agrada também. às vezes penso como quando saio do cinema. se o filme me deixou pensando sobre aquilo que contou, é um bom filme. a mesma coisa com as fotografias.

    1. como em outros comentários, essa é uma ideia abstrata daquilo que faz uma fotografia ser boa. de forma mais concreta, quase como em um manual de instruções (que obviamente é só uma alucinação minha e nunca vai existir, ainda bem), quais seriam os seus parâmetros?

  6. Talvez seja a sensação que desperta nas pessoas. O choque, o repúdio, a alegria, as cores (fortes, provocantes, ou serenas, leves), a surpresa ou a admiração. Em Washington D.C., há um museu chamado Newseum que retrata a história do jornalismo. Há uma parte, ainda, só relativa ao fotojornalismo. Em destaque, eles reproduzem uma frase de Eddie Adams, um dos ganhadores do prêmio Pulitzer: “se o faz rir, se o faz chorar, se arranca o seu coração do peito; isso traduz uma boa fotografia”.

    1. talvez o fotojornalismo seja o caso mais “fácil” de definir o que faz uma foto ser boa, não? ali o objetivo primário é claro: a notícia. se a fotografia consegue transmitir o acontecimento de forma completa, já pode ser considerada uma foto boa. os sentimentos que ela desperta são posteriores, não?

      1. Bom, a discussão sobre o que faz uma foto ser boa deve partir de um questionamento do que seria bom – o que é muito relativo. Seria boa para o fotógrafo (o que ele define como foto perfeita, ou boa)? Dos seus pares (quais são as regras “acadêmicas”, ou técnicas, que a fazem perfeita)? Ou da opinião pública? Se percebemos uma boa foto, mas esta visão é subjetiva, o que faz a boa foto depende somente e apenas do olhar de quem a admira, seja coletivo ou individual. A posteriori ou não, esse olhar é válido. Assim, creio (e esta é apenas minha opinião) que despertar uma sensação nas pessoas, seja incômodo ou admiração, no mundo atual, seria uma boa definição da boa foto e não apenas do fotojornalismo.

    1. explicação genérica, não acha? se você tirar o ponto de vista estritamente pessoal, quais seriam os parâmetros para estabelecer o que faz uma fotografia ser considerada boa? é esse o exercício proposto.

  7. Acho que procurar regras ou referenciais estéticos para o que é uma boa foto sempre vai ser um tipo de revisão histórica, ou seja, vamos escolher imagens que historicamente são consideradas boas e tentar achar quais elementos nelas fazem com que se destaquem. O problema de fazer isso é que invariavelmente esse conjunto de regras encontradas vai ficar ultrapassado, porque é da natureza da arte questionar e destruir valores vigentes. Tenho certeza que as fotos do Man Ray, por exemplo, não se encaixavam em nenhum manual da época do que era uma boa foto.
    Acho que o que faz uma fotografia ser boa é sua capacidade de se articular como discurso, por mais genérico que isso pareça. Como a imagem se alinha ou questiona os movimentos artísticos vigentes, como se relaciona com movimentos políticos e com a realidade de seu tempo, a biografia de seu autor, como é apresentada para o observador, como o próprio observador enxerga a imagem, entre outras mil coisas.

  8. Primeiro acredito que a fotografia não esteve ligada ao meio de que ela foi produzida (processo químico ou digital), mas sim da vontade da pessoa que opera o equipamento. E desde modo o resultado obtido terá sido influenciado pela época, local e repertório cultural deste operador. As opiniões também sofrem do mesmo problema individualista e podem mudar a todo momento. Infelizmente temos a necessidade de rotular.

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