Foto de casal gay na Rússia é a grande vencedora do World Press Photo 2015

DAIGO OLIVA

Uma imagem realizada pelo fotógrafo dinamarquês Mads Nissen é a fotografia do ano segundo o júri da 58ª edição do World Press Photo, maior prêmio dedicado ao fotojornalismo no mundo. O registro mostra o casal gay Jon e Alex durante um momento íntimo, em São Petersburgo, na Rússia.

Nissen, fotógrafo do jornal dinamarquês “Politken”, também venceu na categoria temas contemporâneos. É o segundo ano seguido em que a imagem ganhadora desta seleção também é escolhida para o prêmio principal. Em 2014, John Stanmeyer levou o WPP ao registrar imigrantes somalis em busca de sinal de celular na costa de Djibuti, no leste da África.

Chefe do júri nesta edição, Michele McNally, diretora de fotografia do jornal “The New York Times”, comentou ao site do World Press Photo que “a imagem vencedora precisa ter estética, impacto e potencial para se tornar icônica”. “Esta foto é esteticamente forte e tem humanidade”, completou ela.

A escolha tem a ver com uma mudança radical na premiação nos últimos dois anos. O World Press Photo deixou de priorizar imagens realizadas em zonas de conflito, como aconteceu com o sueco Paul Hansen em 2013 e o espanhol Samuel Aranda em 2012, para mostrar temas comportamentais. Com Stanmeyer, embora sua fotografia tratasse de imigração, o elemento chave
do registro era o telefone celular. Mostrando apenas silhuetas e a luz do visor, o que está em foco é o gesto universal de erguer a mão para conseguir sinal.

Já na fotografia vencedora deste ano, o contexto de discriminação social e crimes de ódio na Rússia contra homossexuais certamente contribuiu para que Mads Nissen fosse o escolhido. Pamela Chen, jurada desta edição, disse que a organização estava “buscando um foto que poderia importar amanhã, e não apenas hoje”. “Isto é um tema contemporâneo, é a vida diária, tem ressonância jornalística tanto local quanto geral, mas também traz à tona a questão de uma forma muito profunda e desafiadora. É bastante universal.”

Nissen já havia sido escolhido pelo WPP em outra oportunidade. Em 2011, ficou com o terceiro lugar na categoria vida diária, além de ter participado do Joop Swart, masterclass ligado ao prêmio. Ele também é o autor de dois livros, um deles realizado no Brasil. “Amazonas”, de 2013, é um mergulho pela floresta, enquanto “De Faldne”, de 2010, mostra dinamarqueses mortos na guerra no Afeganistão. Com o prêmio, o fotógrafo de 36 anos levará 10 mil euros (cerca de R$ 32.500). A edição 2015 do World Press Photo recebeu 97.912 imagens de 5.692 fotojornalistas de 131 países.

MANIPULAÇÕES
Segundo Lars Boering, diretor do WPP, 20% das imagens no penúltimo turno da competição foram desqualificadas por causa de manipulações. A categoria esportes foi a mais afetada e, por isso, não foi possível indicar o terceiro lugar.

Outros ótimos trabalhos foram premiados em oito categorias. Em notícias gerais, por exemplo, a norte-americana Glenna Gordon levou o segundo posto ao documentar o caso das 300 estudantes nigerianas sequestradas pelos militantes islâmicos do Boko Haram. Ela registrou pertences das garotas como roupas, bilhetes e cadernos, sempre em fundo preto.

Assim como a notícia do sequestro foi destaque nos jornais em todo o mundo em 2014, outras histórias de relevância também apareceram no prêmio. A dramática imagem de uma garota turca de 15 anos, presa em um protesto em Istambul, deu ao fotógrafo da agência France Press Bulent Kilic o primeiro lugar na categoria notícias locais. A imagem já havia sido selecionada nas galerias de melhores do ano do “New York Times” e da revista “Time”.

O mesmo aconteceu com o registro monumental do italiano Massimo Sentini, que flagrou náufragos resgatados a 20 km ao norte da Líbia. A foto, aérea, é um delírio visual. O surto de ebola na África e um Messi melancólico após a derrota da Argentina na final da Copa do Mundo realizada no Brasil também saíram vencedoras. O americano Pete Muller e o chinês Bao Tailiang receberam o primeiro lugar em notícias gerais e esportes, respectivamente.

Náufragos resgatados no mar Mediterrâneo

Mas poucos trabalhos são tão bonitos quanto os dois vencedores na seleção de histórias com temas contemporâneos –ambos produzidos por italianos. Enquanto Giovanni Troilo transformou o colapso industrial da cidade belga de Charleroi em um filme de terror non-sense, com pessoas em gaiolas e orgias, Giulio di Sturco documentou com rara sensibilidade os bastidores de Chollywood, a Hollywood chinesa. São cenas teatrais, com luz impecável.

‘SELFIE’
Em um exercício de provocação, o blog sentiu falta de uma imagem entre os selecionados. Nenhuma fotografia foi tão importante em 2014 quanto a “selfie” promovida pela apresentadora Ellen DeGeneres durante a cerimônia de entrega do Oscar. Embora não tenha apuro estético, nenhum registro teve o mesmo impacto, magnetismo e recordes que este autorretrato coletivo.

A “selfie” que o ator Bradley Cooper tirou com outras estrelas, entre as quais Kevin Spacey, Angelina Jolie, Brad Pitt, Jennifer Lawrence e Meryl Streep, vale entre US$ 800 milhões (R$ 1,7 bilhão) e US$ 1 bilhão (R$ 2,2 bilhões), segundo um especialista em marketing. Foi também centro de discussão sobre autoria, já que Samsung, marca do celular, foi quem concebeu a propaganda travestida de brincadeira. Por fim, também quebrou o recorde de compartilhamentos de uma imagem no Twitter à época.

Se a guinada para temas comportamentais do WPP for definitiva, que tenham a ousadia de premiar uma imagem que tem valor histórico e de contexto imensurável como esta do Oscar. Pois não há nenhuma palavra que defina melhor esta geração de milhões de fotógrafos do que “selfie”.

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Comentários

  1. Ser gay parece que é algo enaltecedor para os seres humanos atuais! Ser gay é um valor! Não é uma simples condição humana, é algo a enaltecer. Acredito que no futuro só existirão humanos gays, o sexo entre humanos será feito apenas entre mulher com mulher e homem com homem… e assim, finalmente, o desejo de muitos humanos de acabar com o “vírus homem”, como foi enfatizado na trilogia Matrix, será concretizado pois os humanos deixarão de procriar.

      1. Primeiro: “tersiog”, você não entendeu o que o Arnaldo quis dizer. Ele está justamente criticando o “mulher com mulher”, “homem com homem”!
        E… Douglas, até entendo o seu ponto de vista, mas me parece que existe, sim, uma espécie de “propaganda gay”. Isso, vai além da conscientização (o que você está falando).
        Agora, em certas circunstâncias é como ser heterossexual fosse ser careta ou algo assim (parece ser o que o Arnaldo está colocando)… E isso é muito estranho!… Mas daí a reduzir a procriação da espécie de maneira significativa, vai uma longa distância… Até porque a “onda”, na atualidade, parece ser mais bissexual, do que homossexual.
        Se fosse arriscar uma previsão, diria que está mais para um aumento significativo da AIDS!

        1. Acho que vocês não entendem o que está acontecendo na Rússia hoje para falar esse tipo de coisa. Lá os gays estão sendo praticamente taxados de criminosos pelo próprio governo Russo. Essa foto não é propaganda gay, tem a quebra de regras, a exposição ao perigo, o preconceito por estar em um país que está num retrocesso conservador. A foto está subexposta, dando essa impressão de coisa proibida, escondida, janelas e cortinas fechadas. Vão dar uma lida no contexto Russo e vocês vão entender como a foto é genial.

          1. Olá Fátima, sua opinião sobre o q eu escrevi está certa, salvo sobre a “extinção”, é uma ironia, sei que isso nunca vai acontecer! Essa ironia é para especificar que, se, os humanos fossem todos gays a humanidade seria extinta! Qto aos demais comentários, como sempre, agressividade e ignorância, corporativismo, etc, jcolocam negros e nordestinos na conversa para formar uma “turma” contra mim, outro diz que goste de matar! rsrs

    1. Deixa de falar bobagem e vá estudar Arnaldo. Gays, negros e nordestinos não são privilegiados, são pessoas que precisam aprender a ter orgulho de quem são, já que em nossa sociedade existem pessoas como você, que só servem para criticar os outros e julgar.

      1. Você está criticando o Arnaldo, Douglas. Fazendo o que diz que ele faz… Concordo com o Arnaldo. Oportunistas, como o fotógrafo vencedor, se aproveitam da atual ‘apologia gay’ para obter vantagens em seus interesses. Muitos fingem que gostam dos gays, para parecerem ‘modernos, mentes abertas e pessoas sem preconceitos’, mas ninguém quer ter um filho assim.

    2. Olá Arnaldo!

      Matar pessoas é algo que você quer ver?
      Você se sentiria bem sabendo que um ato de amor entre duas pessoas provoca morte?
      É exatamente isso que a foto vencedora revela, que o ser humano ACEITA matar, mas não aceita AMAR.

      Pense nisso, e não observe a superficialidade das coisas.

    3. Que exagero. Ninguém está dizendo que ser gay é melhor ou mais bonito que ser hétero. O que torna a foto relevante ou não é o contexto em que ela foi publicada. Não é necessário dizer o quanto os gays e qualquer outra minoria são perseguidos e, enquanto for assim, sempre que houver alguém disposto a transgredir e romper barreiras, esse alguém e suas obras estarão em evidência.
      Ninguém precisa ficar preocupado com o fim da humanidade por que só haverá casais gays. Essa é uma das coisas mais ridículas que se pode dizer. Mas enquanto os gays forem perseguidos, as obras que lhes der evidência serão valorizadas. Quando eles tiverem o mesmo tratamento dos héteros, fotos como essa deixarão de ser chocantes e não ganharão mais prêmios.
      Portanto, que os gays tenham seus direitos reconhecidos. Primeiro porque eles merecem; e segundo porque, apensar de ser a favor da causa deles, toda essa propaganda realmente enche o saco 😀

  2. A foto não tem nada de gay. Na verdade, quase não se enxerga a foto premiada. Ou então, é de um período em que gay tinha que ficar muito escondido.
    uma foto com legenda muito comprida não me parece muito boa.
    Abraços para gays e não gays.

  3. A foto do macaco sendo torturado para “aprender a agir como humano” (andar de bicicleta) me provocou uma tristeza medonha. O bicho, apavorado, transmite uma mensagem de “o que você quer?”? E um monstro, portando um chicote, avança. Deus meu!

  4. A foto do macaco sendo torturado para “aprender” a divertir humanos é um libelo contra a crueldade humana! É um flash apenas das milhões de cenas de pervesidade que os animais irracionais sofre na mão da única espécie “racional”. É a foto campeã para mim pela dramaticidade e gravidade do fato. Chorei muito ao vê-la, pois senti-me um miserável por fazer parte desta espécie que é uma praga no lindo planeta Terra.

  5. Hoje vi no jornal do meio dia, uma avó de 80 anos que está presa há um mes porque seu filho não pagou a pensão do neto. Lendo alguns comentários rasos aqui, sobre a relação homem x homem e mulher x mulher, tenho certeza que os filhos só deveriam nascer quando desejados. Essa presidiária está sendo injustiçada justamente porque dois heterossexuais fizeram duas crianças, se separaram e ninguem quer arcar com o sustento das crianças, daí a prisao da idosa. No futuro, homens com homens e mulheres com mulheres, acabarão de vez com essa irresponsabilidade. Crianças só nasceram de proveta e barrigas de aluguel, algo totalmente factível, nenhuma “raça humana” será extinta, pelo contrário, só nasceram quando forem bem vindas, amadas e desejadas. A humanidade tende assim, a fazer um mundo muito melhor sendo absolutamente gay. A foto é soberba, só gente menor que não enxerga isso.

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